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Animal

Cachorro também tem juiz

Bruno Gabriel, especial para a Gazeta
07/08/2010 03:19
Reconhecer o exato tamanho, formato e tonalidade que de­­­vem ter os olhos de um ca­­chorro de determinada raça. Esses, entre muitos outros itens, fazem parte da rotina de um juiz de exposição canina.
A profissão, que exige conhecimento sobre cães em geral e também sobre raças específicas não é reconhecida na América do Sul. “Quem organiza a exposição convida os juízes e paga tudo. Refeição, viagem, estadia. Mas não há pagamento ao profissional. Quem quer trabalhar com isso tem de ter uma profissão paralela”, explica o empresário Luiz Fernando Ribas Silva, juiz de cães há quase 30 anos.
Silva é apaixonado por cães desde criança, quando ganhou uma enciclopédia canina. “Sabia os padrões oficiais de todas as raças”, conta. O envolvimento de Silva foi essencial para que, aos 19 anos, tornasse o mais jovem juiz de raças do mundo.
O processo para se tornar um juiz de raça envolve provas orais e práticas, nas quais três examinadores julgam o conhecimento do candidato a respeito dos cães, como a estrutura anatômica. Na sequência, o candidato escolhe uma raça específica e a estuda de acordo com os padrões oficiais. Se julgado apto e demonstrar envolvimento com a causa, além de já ter auxiliado algum juiz em competições, ele inicia sua carreira.
O profissional pode, então, partir para a especialização nos outros grupos de cães, que no Brasil são 11. Em cinco anos ele pode ser capaz de julgar todas as raças. Em outros países, isso pode chegar a até 30 anos. Silva preferiu ficar mais tempo julgando a raça dobermann, do primeiro grupo, até que conseguisse obter a qualificação máxima. “São muitas especialidades. Um juiz deve saber o que cada raça deve ter. Ele analisa tudo. Obviamente vemos também as falhas do animal, mas devemos nos atentar aos detalhes”, diz ele.
A médica veterinária Mônica Correia do Amaral também é juíza, mas optou por fazer em cinco anos os testes necessários para poder julgar todas as raças. Durante o julgamento, além do padrão também são levados em conta apresentação e bom estado geral do animal. “O cachorro não pode ser nem tímido, nem agressivo, tem que nos deixar tocá-lo”, diz Mônica.