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Células-tronco podem salvar os bichos

Anna Simas
07/08/2010 03:07
As células são retiradas do tecido gorduroso – geralmente durante a castração – ou da polpa do dente dos animais, durante procedimento odontológico. No primeiro são usadas para fazer reconstituições ósseas, de tendão ou musculares – em casos de acidentes, de displasia coxo-femural ou de doenças degenerativas, como inflamação nas articulações. Cacimar explica que quando o animal quebra o osso nem sempre a recolocação é simples. Além da demora, há o risco de os ossos ficarem tortos e até comprometerem a locomoção. “As células-tronco fazem o preenchimento do tecido, promovendo um ligamento mais forte e de recuperação mais rápida. O resultado é excelente”, explica.
No segundo caso são usadas para tratar doenças graves que afetam o fígado, rim ou medula óssea, mais frequentes em algumas raças. Nos felinos são comuns degenerações renais. “Quando esses órgãos não funcionam mais, colocamos células no local que vão se diferenciar e exercer sua função de forma eficiente”, diz Cacimar.
A médica veterinária e mestranda da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que pesquisa células-tronco, Ana Laura Damico explica que o tratamento é revolucionário para a medicina veterinária porque não existem transplantes de órgãos para animais, um procedimento de custo muito alto. “Não havia solução para o problema. Agora o órgão pode ser reconstituído.”
O procedimento, em qualquer caso, não é feito por cirurgia e sim por injeção das novas células no organismo do animal. Por enquanto elas vêm do laboratório Celltrovet, em São Paulo, mas a ideia é armazenar aqui, até o final do ano, o material coletado que pode ser doado por qualquer animal saudável. “Não há necessidade de exames prévios de compatibilidade, até porque estuda-se a hipótese de não haver risco de rejeição”, explica Cacimar.
Primeira paciente
O primeiro cão a passar pelo procedimento foi a west terrier Tina, que recebeu as células no começo de julho. Ela sofria de um problema no metabolismo do zinco e o abdome acumulava líquidos, inchava e tinha que ser drenado com frequência. Como se trata de um estudo, ainda em andamento, sua proprietária não pagou nada pelo tratamento, que deve custar cerca de R$ 800 por aplicação.
Serviço
Hospital Veterinário Ecoville. Rua Pedro Viriato Parigot de Souza, 4.655, Ecoville. Contato pelo (41) 3076-7273.