Mascote Fit

Animal

Seu bichinho ouve bem?

Lívia Lakomy, especial para a Gazeta
04/10/2008 03:26
Leonardo Napoli, médico veterinário da Clínica Pet House.
Uma doença fácil de prevenir e tratar, mas que pode ter consequências sérias, a otite é uma inflamação no duto auditivo. “Ela é bastante comum, normalmente causada por fungos ou bactérias, mas que, quando não tratada, pode se tornar crônica e levar a complicações, como meningite e perda total da audição”, afirma o médico veterinário Leonardo Napoli, da Clínica Pet House.
Para identificar a inflamação, que pode ser externa ou interna, basta ficar de olho no comportamento do seu bicho: se ele está mais agressivo, coça com freqüência as orelhas e não permite ser acariciado na região próxima ao ouvido, é possível que ele esteja com otite. Outros sintomas que podem ser observados são vermelhidão, presença de secreção na área da orelha e mau odor.
Existem raças caninas mais predispostas a sofrer com a inflamação, especialmente as de orelhas peludas e caídas, como o cocker spaniel, lhasa apso e poodle. A anatomia das orelhas ajuda a formar um ambiente propício para o desenvolvimento de fungos e bactérias, especialmente no verão, quando se cria um ambiente quente, úmido e fechado no canal auditivo dos cães. Por este mesmo motivo, infecções como a otite são menos presentes em gatos, não só porque estes tomam menos banho do que os cachorros, mas também porque suas orelhas levantadas mantém o canal auditivo seco e sempre arejado.
Prevenção
Prevenir a otite pode ser feito com atos simples, como proteger os ouvidos durante o banho para que não entre água no canal auditivo e realizando uma limpeza externa regular, ambos com algodão seco. Já no caso da limpeza auditiva interna, Napoli adverte que não deve ser feita com tanta freqüência, pois acaba mudando a flora interna do ouvido, o que facilita a infecção. É melhor que esta limpeza seja feita por um veterinário, quando for necessária.
Uma vez diagnosticada a otite, é necessário que seja feito um exame de cultura e antibiograma para identificar qual a bactéria ou fungo específico que causa a infecção. Só quando ela for determinada é que se pode iniciar o tratamento. O veterinário Marcos Gomes Bernardino, da Clínica Wistuba, alerta para a automedicação, já que “com o uso indiscriminado de remédios a bactéria pode acabar se tornando resistente ao tratamento. Em alguns casos, as repetidas infecções aumentam o tecido no ouvido e exigem intervenção cirúrgica para expor novamente o duto auditivo do animal.”
Outros problemas
As inflamações como as otites não são os únicos problemas auditivos enfrentados por cães e gatos. Muitas vezes o avanço da idade faz com que gradualmente percam a audição parcialmente ou em apenas um dos ouvidos. O médico veterinário Gomes é dono de Luma, uma cocker americana que aos 9 anos foi diagnosticada com um tumor no pavilhão auditivo, seguido por infecção e que acabou por perder completamente a audição. “Muitos cães conseguem viver bem sem ouvir direito, pois acabam desenvolvendo mais os outros sentidos, como o olfato.”