Felizes para Sempre? muito provavelmente vai ser lembrada pela cena da bunda da atriz Paolla Oliveira e da quantidade de sexo no enredo. Mas enxergar apenas esses dois pontos no roteiro de Euclydes Marinho é ser míope. A minissérie mostrou uma crônica atual dos relacionamentos, recheada, sim, com muito sexo e relações perigosas como pode, afinal, ser a vida a dois (ou a três, quatro) e também escancarou como a paixão pode andar lado a lado com o ódio, levando a um crime passional, que será exibido nesta sexta.
O autor decidiu atualizar um de seus trabalhos mais queridos pelo público: Quem Ama Não Mata, exibida em 1982, também como minissérie. Ao atualizar o texto para 2015, o autor, acertadamente, resolveu incluir como pano de fundo a política e transferir para Brasília a ambientação da história. Realizada fora dos estúdios da Globo, a minissérie foi entregue ao cineasta Fernando Meirelles e à produtora O2, o que conferiu um ar de modernidade e inovação.
Para quem sentia falta de uma narrativa mais adulta e mais próxima à ousadia do cinema, Felizes para Sempre? sugeriu um ménage a trois (que não acabou não acontecendo), sexo na terceira idade, adolescente perdendo a virgindade e cenas de lesbianismo entre as personagens Marília (Maria Fernanda Cândido) e Denise/Danny Bond (Paolla Oliveira), além da já costumeira traição de casais (fato presente em praticamente todos os núcleos).
Diferentemente das mocinhas insossas vividas até então por Paolla Oliveira, é justo dizer que a minissérie consagrou o talento da atriz (além de seus atributos físicos). A cena na qual a namorada de Denise/Danny descobre que ela é uma garota de programa mostrou uma Paolla segura de si e longe das heroínas chorosas dos folhetins das 21 horas. Aliás, falando em folhetim, um dos maiores acertos do texto é desconstruir os finais felizes das novelas. A interrogação do título não poderia ser mais apropriada.
Além de consagrar Paolla Oliveira, a produção também serviu para lembrar aos produtores da televisão brasileira que excelentes atores como Enrique Díaz, João Baldasserini e Selma Egrey merecem bons papeis em nossas produções do horário nobre.
Com 10 capítulos, Felizes para Sempre? chega ao fim hoje à noite com um assassinato que vai abalar a vida dos personagens. Segundo o autor Euclydes Marinho, quem mata no final é quem poderia matar naquele dado momento com suas dores, mágoas e ressentimentos. “Ninguém mata porque está bem, mata porque está mal, com ódio, muito frustrado, se sentindo muito sacaneado. São sentimentos intensos que alguém precisa ter para chegar nesse ponto, cometer essa loucura”, explica. Agora é aguardar e conferir.
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