Histórico

Construção do conhecimento

Érika Busani
27/11/2006 00:05
erikab@gazetadopovo.com.br
Crianças aprendem a falar ouvindo os adultos. E deveriam aprender a ler da mesma forma, observando e sendo orientadas apenas quando pedissem ajuda. Pelo menos assim acreditava John Holt, professor, pesquisador e educador norte-americano. Seus estudos, voltados a descobrir como as crianças aprendem, foram um importante impulso ao movimento de homeschooling – aprendizado em casa – nos EUA.
No livro Aprendendo o Tempo Todo – Como as Crianças Aprendem sem Ser Ensinadas –, finalizado e publicado após sua morte, Holt defende que a aprendizagem pode ser mais rápida e satisfatória se as crianças forem estimuladas a buscá-la por conta própria. O que elas precisam, diz, é ter acesso a diversos materiais com letras impressas, de preferência do mundo adulto.
Holt é um crítico ferrenho do sistema tradicional de ensino. Para ele, o que a maioria das escolas faz é destruir o interesse natural que as crianças têm por aprender. A cada vez que o professor aponta um erro ou quer ensinar conceitos para os quais não têm uma explicação clara – um exemplo que ele dá é a diferença entre vogais e consoantes – mata um pouco essa curiosidade inata.
Além da leitura e escrita, Holt aborda formas mais eficientes de estimular a aprendizagem da matemática, ciência e música. Em um dos capítulos, ele se dirige aos pais. E aborda, mais uma vez, a ineficiência de tentarmos – por melhor que sejam as intenções – ensinar o que não nos foi solicitado. Essa atitude transmite uma mensagem de “desconfiança e desprezo”: “A primeira parte da mensagem é: estou lhe ensinando algo importante, mas você não é inteligente o suficiente para perceber isso. A menos que eu ensine isso a você, você muito provavelmente não aprenderá sozinho. A segunda parte da mensagem é: o que estou lhe ensinando é tão difícil que, se eu não lhe ensinar, você nunca o aprenderá”. Quem tem crianças pequenas certamente já foi surpreendido com uma reação de fúria quando tentou ajudá-la em algo que julgou fora de seu alcance. Faz todo o sentido.
Serviço: Aprendendo o Tempo Todo, de John Holt, Verus Editora, R$ 24,90.
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Ajuda
Aprendi com a Minha Mãe

Cristina Ramalho
Editora Versar
Traz 52 depoimentos de celebridades e personalidades – como o cronista Arnaldo Jabor e a atriz Sônia Braga – sobre a lição mais importante que aprenderam com suas mães. Relatos emocionados que revelam a cumplicidade surgida em momentos difíceis ou alegres.

Letrinhas
Destemida – Aventuras Fascinantes de uma Garota Corajosa

Natalie Jane Porter
Fundamento
A série chega ao Brasil com dois volumes – Os Olhos do Dragão e As Montanhas Negras. Tratam-se de contos de fadas às avessas, nos quais é a mocinha quem tem de se defender. A protagonista éuma adolescente que está sozinha no mundo e descobre que descende de uma família de caçadores de
dragão.
Clássico
Vidas Secas
Graciliano Ramos
A mais popular obra do escritor Graciliano Ramos permite entender um pouco mais dessa região do Brasil tão rica culturalmente, mas que sofre com a miséria. Lançado em 1938, um dos aspectos que impressionam no livro é o seu tema sempre atual. Com precisão gramatical e inovação estética inigualáveis, a obra conta a história de uma família de retirantes, impelida pela seca. A impressão que se tem é que Fabiano, sua mulher sinhá Vitória, os dois filhos e a cadela Baleia estão em fuga constante, num caminhar sem fim. E carregam consigo a sina do sofrimento de todos os retirantes nordestinos. Em poucos romances o título é tão fiel aos seus personagens quanto em Vidas Secas. Todos são seres brutalizados não somente pela falta de água, mas também pela desesperança de quem sabe que viver é a travessia de um pedaço de chão ressecado, quase sem vida. Para a maioria dos críticos literários Vidas Secas não é a melhor obra de Graciliano Ramos, um escritor marcado pela luta contra as injustiças sociais. Para mim, é o mais humano, o mais verossímil e com um conteúdo sócio-político raras vezes encontrado na literatura mundial.
Célio Martins
Aspas
“Querida Kitty
Tenho em meu caráter um traço predominante que salta aos olhos de quem me conhece há algum tempo: é o conhecimento que tenho de mim mesma. Consigo fiscalizar-me e aos meus atos como se fosse uma estranha. Sou capaz de encarar a Anne de todos os dias sem preconceitos e sem fazer concessões, observando o que há de bom e de mau. Essa autocrítica me acompanha sempre, e, cada vez que falo alguma coisa, sei imediatamente se devia Ter falado de outra maneira ou se estava bem assim. Há muita coisa que condeno em mim. Seria uma longa lista! Cada vez mais, reconheço a verdade que havia nas palavras de papai: ‘Aos pais cabe dar conselhos e indicar caminhos, mas a formação final do caráter de uma pessoa está em suas próprias mãos.’”
15 de julho de 1944.
De O Diário de Anne Frank
Eu leio
“Um livro que me marcou muito quando li em 1986 foi Os Subterrâneos (1958), de Jack Kerouac, que agora a editora LPM lança em versão de bolso. É o livro que mais gosto Kerouac, escrito em três dias e três noites em uma literatura sem parágrafos.”
Mario Bortolotto, dramaturgo e diretor.