Histórico

Líquido de ouro

Jennifer Koppe
12/06/2006 00:53
jenniferk@gazetadopovo.com.br
O azeite de oliva era considerado divino para os gregos e romanos. A mitologia conta que Atena, a deusa da paz e da sabedoria, criou a oliveira para que seus frutos servissem de alimento e medicamento para o povo da região. Durante a Antigüidade, a árvore tinha imenso valor. Dos galhos se faziam coroas para os heróis e o óleo era dado como prêmio para atletas. O derivado da azeitona também tinha múltipla função. Além de item básico da alimentação na época, servia como combustível para iluminação, além de ser usado na medicina, higiene e em cosméticos.
Hoje em dia, o azeite de oliva não é mais tão valioso quanto o ouro, mas tem sido cada vez mais consumido. São produzidos 2,8 milhões de toneladas do óleo anualmente no mundo. Por sua importância histórica, comercial e gastronômica, o empresário e enólogo paulista Luciano Percussi decidiu aprofundar os seus estudos e lançar Azeite – História, Produtores, Receitas, primeiro título brasileiro a reunir tantos detalhes a respeito do produto.
Além de uma pesquisa minuciosa sobre a origem e a simbologia das oliveiras, o autor conta como é o processo de plantio e produção e enumera os vários tipos de azeite e os seus atributos. As propriedades terapêuticas e cosméticas do azeite de oliva também não são ignoradas. Percussi ensina uma série de receitas para aliviar ou curar problemas como reumatismo, dor ciática e psoríase.
Certos dados específicos talvez não interessem ao consumidor comum, mas o conteúdo da obra atende bem a estudantes, empresários e profissionais da culinária. O livro ainda reserva um presente para os amantes da boa comida: mais de 30 receitas especiais, selecionadas pela chef Silvia Percussi, filha do escritor.
Serviço: Azeite – História, Produtores, Receitas, de Luciano Percussi; Editora Senac; R$ 50.
***********
Ajuda
Pais Ocupados – Filhos Distantes
Gordon Neufeld e Gabor Maté
Melhoramentos
Os autores canadenses focam no que os pais devem ser para seus filhos e não o que devem fazer. Para eles, a criação das crianças nada mais é do que fomentar um bom relacionamento, mantendo uma conexão contínua para que as duas partes se sitam seguras. Com exemplos concretos para guiar filhos distantes e agressivos para o amadurecimento emocional saudável.
Letrinhas
Treze Contos
Edson Gabriel Garcia
Ilustrações Michele Iacocca
Atual Editora
Leitura para os maiorzinhos. O autor reúne treze contos que relatam, de maneira leve e bem-humorada, acontecimentos do cotidiano das crianças. Em “O Caso do Revólver”, corre na escola o boato de que Jorge levou um revólver para acertar as contas com o professor de Matemática. Em outro, uma garota que é goleira do time de futebol do bairro e ainda o da menina que se recusa a falar com alguém até que lhe expliquem o significado da palavra greve.
Clássico
Romeu e Julieta
William Sakespeare
Quando li Romeu e Julieta num exemplar novíssimo de capa dura do Círculo do Livro tinha apenas 15 anos e me vi absorvida por aquele romance jovem, trágico e absolutamente atemporal. Escrito em forma de peça teatral, a obra nos remete a uma cidade italiana medieval dividida na rivalidade de duas nobres famílias. E é do seio de cada uma delas que foram criados os personagens do título, que se conhecem e logo estão perdidamente apaixonados. Se na adolescência o que se sobressai dos relatos de Shakespeare é exatamente a capacidade de amor incondicional e desafiador de Romeu e Julieta, enfim, a fábula do amor impossível, no consciente de leitor fica a narrativa cheia de vieses do bardo inglês. Os erros que se sucedem em cadeia e que determinam o fim mais trágico de toda a literatura. O final feliz seria uma saída escapista, que não combinaria com o desenrolar sangrento de toda a história. Sem dúvida uma boa introdução à obra de Shakespeare.
Danielle Brito
Aspas
“Quando conheci o Teodoro, ele fumava e eu achava muito emocionante. Tenho muita saudade de quando não existia essa amolação de cigarro dar câncer, nem de mulher ser magra. A gente tinha mais tempo para o que precisa, não é mesmo? Será que faz mal mesmo? Colesterol, depois de tanto barulho, estão falando que já tem do bom. Qualquer dia vou pedir ao Teodoro pra dar uma fumadinha, só pra fazer tipo.”
Adélia Prado, em Filandras.
Eu leio
“Gen – Pés Descalços é a história autobiográfica, em quadrinhos, do autor japonês Keiji Nakazawa, que tinha sete anos quando a bomba atômica atingiu sua cidade natal, Hiroshima. A história é triste e envolvente. Conseguimos até mesmo rir, mas, principalmente, refletir. O que mais me atraiu no livro é o fato de ser contado por alguém que viveu o drama, mas que não tenta descrevê-lo de forma sensacionalista, mas sim realista.”
George Stein, publicitário.