Mesmo quando dezembro ainda é só uma sombra distante nas folhas do calendário, o agito lá em casa já começa. Uma gente viciada em Natal se alvoroça ao menor sinal de que a festa de Santa Claus está para chegar.
A pontinha do 1º de dezembro nem bem aparece e os pensamentos seguem embalados por um feliz Jingle Bells. Todos prontos para confraternizar, desentulhar os enfeites vermelhos guardados por quase onze meses, estampar uma baita guirlanda na porta e começar a planejar a festa.
Aliás, essa começa bem antes do dia 24. Uma pequena reunião para a retirada do amigo-secreto vira uma bagunça generalizada, regada a gargalhadas no avançar da madrugada. É inevitável que a empolgação sem limites chame a atenção, o que explica o grande número de visitas à meia-noite.
A árvore gigante, forrada de pequenos e grandes pacotes que se aglomeram até o meio da sala e a quantidade de comida servida para alimentar um batalhão causam um certo impacto nos passantes da madrugada. Mas, nesse caso, a primeira impressão não é a que fica.
Logo os visitantes entram no clima, embarcam no despautério. No ano seguinte, são os primeiros a entrar na corrente do exagero e, aos poucos, já não são capazes de reviver o nascimento de Jesus em qualquer outro lugar. Viram adeptos da virada natalina mais animada.
Tudo efeito do mês 12. Aliás, antes da chegada dele, há alguns surtos esporádicos de ponderação. Promessas de uma redução no pernil ou de uma maior economia nas compras – “Afinal, a gente faz amigo-secreto pra quê?”. Mas o leve bom senso se esvai na mesma velocidade com que as faturas dos cartões de crédito começam a surgir debaixo da porta. O mais interessante de pensar em meio a todo esse destempero é que nem o salpicão (que, aliás, é inigualável) nem as embalagens no pinheirinho têm real importância em todo esse ritual. Sentados à mesa, prontos para a oração antes da ceia, um se levanta e agradece por estarmos todos ali… sempre juntos. É quando o verdadeiro sentido do nosso Natal entra pela porta da frente. Hora dos olhos brilharem marejados, dos abraços de esperança serem mais apertados, de segurar o rosto um dos outros para dizer como cada um ali é amado.
É uma festa de celebração por sermos quem somos. Dia de esperar dar quase meia-noite para fazer contagem regressiva, relembrar os amados que nos olham lá de cima, rir muito até doer a barriga e planejar que a alegria dessa noite dure por toda a vida.
Colunistas
Agenda
Animal


