Se Eu Pudesse Viver Minha Vida Novamente…
Rubem Alves
Versus Editora
O intelectural – que plantou árvores, teve filhos e escreveu livros – lança um olhar nostálgico sobre as perdas da vida, um sofrimento que não está ligado a eventos trágicos, mas sim à simples realidade. “Tudo o que amamos, tudo o que é belo, passa.” E são os artistas os “feiticeiros” capazes de eternizar o efêmero através de músicas, poemas. “A beleza da arte nasce da tristeza”, diz.
Branca de Neve e Outras Histórias
Irmãos Grimm / Tradução e comentários Fausto Wolf / Editora Revan
As pequenas histórias recolhidas por Jacob e Wilhelm Grimm entre 1785 a 1863 são o retrato de uma época em que o fantástico habitava o imaginário popular. Além do cuidadoso trabalho de tradução, o jornalista Fausto Wolf faz observações sobre as histórias e o universo de onde surgiram para que os pais possam responder da melhor forma as perguntas das crianças.
Morte em Veneza
Thomas Mann
Gustav Von Aschenbach encarna o intelectual rigoroso, mortificado, para quem o conhecimento se faz pela pedra. Suas férias de verão em Veneza – cidade que é a encarnação da beleza – vão lhe dar a consciência de que o “belo”, tema caro à filosofia clássica, não cabe no silício do saber e que Gustav se aproxima do fim. Morrerá, sim, sem respostas. Ao tomar ciência disso, entra em agonia lenta e torna-se emblema da melodia triste de Mann. O adolescente Tadzio traduz esse conflito. A paixão platônica pelo garoto não segue as regras do amor romântico, o que seria banal. Mann prefere um conceito pouco explorado, o da “ausência”, que vulgarmente traduzimos como “estar sentindo falta de alguma coisa que não sabemos dizer o que é”. Tadzio é tudo o que banimos por julgarmos nos colocar na área de risco. Ele representa a natureza em estado bruto. Quando se dá conta disso, Gustav entende que é tarde demais para ele. Do lugar dos leitores, assistimos a sua agonia. E, por um momento, suspeitamos que viver equivale a ocupar espaços vazios, pois nesses lugares habita o desejo, princípio e fim de todo conhecimento. Não fosse assim, vale dizer, Veneza não existiria.
José Carlos Fernandes
“Passou ali toda a noite, às vezes meio adormecido, despertando de quando em quando com um temor, devido à fome; outras vezes, a ruminar seu infortúnio e as suas vagas lembranças, mas concluindo sempre que o seu dever era permanecer dócil e procurar tornar as coisas suportáveis para a família, quaisquer que fossem os aborrecimentos que a situação pudesse impor-lhes.”
De A Metamorfose, de Franz Kafka.
“Estou terminando de ler Amor É Prosa, Sexo É Poesia, de Arnaldo Jabor. É uma reunião de crônicas jornalísticas publicadas por ele. Gosto muito do que ele fez em cinema, das suas crônicas, apesar de não concordar sempre com suas idéias. É raro estar com um livro só como agora. Normalmente estou lendo três ou quatro ao mesmo tempo.”
Alexandre Nero, músico.


