Histórico

Mudar é difícil, mas necessário

Michele Bravos, especial para a Gazeta do Povo - micheleb@gazetadopovo.com.br
02/01/2011 02:14
O emprego é tão rotineiro que todos os dias parecem segunda-feira. As implicâncias no casamento sufocam. O carro, com aquele amassadinho na porta, vive dando problema. Tudo precisa ser trocado. Nos minutos finais do último dia do ano, em meio aos fogos antecipados dos vizinhos, os pedidos são feitos. Um a um. Nada pode ser esquecido. Ano novo, vida nova?
Encarar uma mudança exige uma dose dupla de realismo intercalada com motivação. Muitas vezes, almeja-se os louros pelas atitudes alteradas, sem mal ter dado um passo. “Certas mudanças exigem mais energia do que outras e isto vai depender do quanto você está longe da linha de chegada”, afirma a psicóloga Mariliz Straube, autora da série Despertar da Consciência (Ed. Rosea Nigra). Ela cita o exemplo – conhecido de muitos – da pessoa que a vida toda teve maus hábitos alimentares e da noite para o dia decide ter uma alimentação saudável e um corpo escultural. “Neste caso, é preciso um longo aprendizado para que o hábito de uma vida seja mudado”, diz.
Mudar, com toda a certeza, não é fácil. A maioria das mudanças, antes de trazer benefícios, traz dúvidas e impasses, pois normalmente é preciso quebrar o gesso que durante algum tempo limitou algumas decisões. A psicóloga Daniela Berton­cello afirma: “Mudar é fazer o mesmo de um jeito diferente. Trans­­formar e olhar em novos ângulos, preferencialmente para todos os lados de uma só vez”.
Tantas transformações repercutem na vida das pessoas ao redor e, segundo Daniela, nos re­­lacionamentos afetivos é fundamental que haja diálogo durante todo o processo de mudança. Independente do desejo de renovação ter sido alcançado ou não. “Nesses momentos, compartilha-se expectativas, revendo os projetos do casal e alinhando seus movimentos de transformação e crescimento”, sugere a psicóloga.
Eis a questão
Adaptar-se fácil e repetidamente a novas situações é genuíno de algumas pessoas. A psicóloga Daniela considera que esse perfil lida bem com o diferente, reconhecendo oportunidades de crescimento diante de crises e processos de transformação. “Eles encaram desafios e conseguem ser muito resilientes.”
Já os mais relutantes em al­­terar as rotas encontram na mesmice uma se­­gurança – mesmo que ilusória, já que dia após dia o ser humano e o meio estão passando por mí­­nimas transformações. O que ga­­rante uma vida com possibilidades diferentes é conquistar a mu­­dan­­­ça. Quanto mais firmada na realidade essa vontade de mudança for, mais chances de a lista de intenções deixar de ser um aglomerado de palavras.
Interatividade
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Serviço:
Psicóloga Mariliz Vargas, site: www.marilizvargas.com.br / Psicóloga e Terapeuta Familiar Daniela Bertoncello, Clínica Renaissance, fone (41) 3253-5913.