Histórico

Nas estradas da moda

Larissa Jedyn
11/02/2007 19:17
larissa@gazetadopovo.com.br
Os iniciados que nos perdoem, mas, em termos de moda, é essencial a informação clara, rápida e, de preferência, sem as afetações fashionistas. Pelo menos para quem não é um habituè das salas de desfiles ou das páginas de revistas internacionais de moda. A jornalista Lilian Pacce consegue isso no seu Pelo Mundo da Moda: Criadores, Grifes e Modelos, que é uma compilação dos seus textos em 20 anos de coberturas na área.
O tamanho da “bíblia” pode assustar, afinal são mais de 500 páginas com algumas fotos, mas é difícil parar antes de chegar à página 200. Os textos são curtos e bem saborosos, salpicados de detalhes biográficos, comparações inteligentes, melhores trechos de entrevistas e rescaldos atualizados sobre o figurão em questão. Ela conseguiu “editar” no livro detalhes do prêt-a-porter internacional, cita as alfinetadas de alguns profissionais em outros colegas, o dia-a-dia das mais tops das tops models, sem esquecer de enlaçar o leitor no propósito primeiro de quem pega um desses volumes para ler – a informação de moda. Fala dos estilos dos grandes criadores, explica de onde surgiram suas linguagens, como escolheram os formatos que estão trabalhando e consegue até fazer uma cronologia, meio às avessas, da história da roupa nesses 20 anos de trabalho.
O mais inusitado é o prefácio do livro, escrito por Vivienne Westwood. Foi ela quem inventou o visual do movimento punk e tem uma postura intelectualizada e engajada, motivos que justamente encorajaram Lilian a convidá-la para a participação. Ela aceitou, é muito bom, não fosse o fato de a estilista não mexer no computador, escrever tudo à mão e o marido de Vivienne quase ter matado Lilian devido ao prefácio que fez a esposa esquecer de milhares dos seus compromissos.
Serviço: Pelo Mundo da Moda: Criadores, Grifes e Modelos, Lilian Pacce, editora Senac, R$ 75.
Ajuda
Inclusão Escolar e suas Implicações
José Raimundo Facion
Editora Ibpex
A inclusão escolar é amparada por leis, mas quando confrontada com a realidade enfrenta várias dificuldades. A obra discute os indicadores numéricos, as bases socioeconômicas e a contextualização da educação no que diz respeito ao tema. E tenta explicar a exclusão mostrando os problemas que a movem: a invisibilidade, a contingência, a autodeterminação, a vulnerabilidade, os transtornos comportamentais e a deficiência mental.
Letrinhas
Camila Vai ao Parque
Larousse Junior
A série Camila, baseada no cotidiano de uma garotinha de 4 anos, trabalha a questão do enfrentamento dos medos na infância. Nesse título, a pequena Camila e seu primo vão ao parque se divertir no novo escorregador, mas, apesar de estar encantanda com o brinquedo, ela não consegue escorregar.
Clássico
Feliz Ano Novo
Rubem Fonseca
Repare. Quando alguém minimamente informado entra numa livraria e se depara com Feliz Ano Novo na estante. É só emoção. Se houver alguém por perto, é inevitável, rola uma conversa: “Esse título foi proibido pela censura, assim e assado…”. O livro, na verdade, deixa todo mundo prosa simplesmente porque é protagonista de uma história bem brasileira, por dentro e por fora. Lançado no final de 1975, a obra vendeu, de enfiada, cerca de 30 mil exemplares, até ser caçada e proibida em todo o território nacional. O quase anacoreta Rubem Fonseca encaramujou-se ainda mais depois da fervura. Cinco anos depois, entrou na Justiça contra a inquisição brazuca e, em 1989 – quando Feliz Ano Novo já era cultuado como uma relíquia romana –, ganhou ruidosa reedição pela Cia. das Letras. Retornou novinho em folha, uma ópera seca e cinematográfica sobre um país amoral, de bandidos sem culpa e uma classe média vazia e satisfeita em seus condomínios fechados e a bordo de carros de luxo. Em 1975, os contos eram uma profecia. Em 1989, pura melancolia. Nos 2000, um clássico, com tudo o que isso possa significar.
José Carlos Fernandes
Aspas
“(…) Vivemos exclusivamente no presente pois sempre e eternamente é o dia de hoje e o dia de amanhã será um hoje, a eternidade é o estado das coisas neste momento.”
Clarice Lispector, em A Hora da Estrela