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Apaixonado pelos livros desde cedo, aos 9 anos Marcelo Sandmann, hoje professor de literatura da Universidade Federal do Paraná, já se perdia na biblioteca do pai – o também professor, mas de lingüística, Antônio José Sandmann – com um volume de Manuel Bandeira ou Dalton Trevisan. Aos 21 anos, a viagem para a Alemanha e a residência no país por dois anos confirmou sua vocação para as letras: nas horas vagas, mergulhava nos clássicos portugueses na Universidade de Colônia. Hoje, aos 41 anos, mestre e doutor, pai de três filhos, Marcelo produz poesia e música popular brasileira nas horas vagas. “Essas duas atividades, para mim, têm a sua urgência”, afirma. Como docente, procura oferecer uma riqueza de conhecimentos não enfocados pela mídia padrão. “O repertório cultural não é mais moeda corrente”, lamenta. Em dezembro, publica seu segundo livro, Criptógrafo Amador. Encontre-o Nas melhores livrarias.
Paixões
Edição histórica de Manuel Bandeira, de 1966. Em sua biblioteca outras paixões, como Camões e Oswald de Andrade, poesias de José Paulo Paes, tema de seu mestrado na UFPR, e textos de Machado de Assis, foco do seu doutorado na Unicamp.
Música
As composições de MPB de Marcelo Sandmann com Benito Rodriguez estão no CD Cantos da Palavra. As canções são interpretadas pela esposa do poeta, Sílvia Contursi.
Passado
A estante de música da avó, sua primeira professora de piano, é conservada com carinho e traz boas lembranças.
Produção
O seu primeiro livro, Lírico Renitente, publicado em 2000, primeiro frutos de anos de leituras e amor pela língua portuguesa.
Lírico renitente
Atado ao fio de um verso;
suspenso pelos pés
de um substantivo abstrato;
flagelado a golpes de vírgula,
cutiladas de exclamação;
cusparadas de metáforas
sobre o rosto, em derrisão;
EU,
remanescente,
réu reincidente,
lírico renitente,
condenado a arder para todo o sempre
no fogo-fátuo
de uma adjetivadíssima aflição!