Histórico

O último romântico

Larissa Jedyn
18/07/2005 00:01
Rita Lee fez uma música com a letra tirada de um artigo que Arnaldo Jabor escreveu sobre amor e sexo. A música veio a calhar, pois ele mesmo confessava andar com fome de arte, com saudades da beleza, de alguma delicadeza, de paz, já que não agüentava mais ser “apenas uma esponja absorvendo e comentando os bodes pretos que os políticos produzem no Brasil e o Bush lá fora.” Ele que já andava desesperançado – mesmo antes das histórias das malas de dinheiro em troca dos votos de deputados e bombas nos tubes londrinos – relembrou com a música Amor é Prosa Sexo é Poesia suas mais antigas lembranças de amor.
E essas memórias romanceadas e apimentadas do ex-comuna cineasta, que virou comentarista de tudo que é assunto, se transformaram em livro com o mesmo nome da canção da ex-Mutante e riponga de cabelos vermelhos. Jabor fala sobre tudo no livro. Sexo, amor, prosa, poesia, política, Bush, Osama, Lula e até o bumbum de Juliana Paes viraram tema. E cada discurso acalorado, com direito a enredo performático, veias saltadas no pescoço e reação da platéia. Reação sim, já que é impossível lê-lo ou assistí-lo e não comentar. Nem que seja para discordar de tudo e exercer o livre direito de esbravejar.
O olhar romântico, que guarda desde a juventude nos anos 60, observa fascinado as mulheres, perigosas, pouco criteriosas, “que podem amar a vida toda um vagabundo que não merece ou deixar de amar instantaneamente um sujeito devoto”. Observa a arte de amar e do sexo. Suas crônicas afetivas relembram a beleza esquecida, os valores perdidos e lamentam o que viramos nós, seres distanciados da essência, ligados à aparência, à vantagem, ao desempenho.
larissa@gazetadopovo.com.br
‹ Serviço: Amor é Prosa, Sexo é Poesia – Crônicas Afetivas, de Arnaldo Jabor. Editora Objetiva, R$ 32,90.