O casamento vai bem, obrigado. A carreira nem se fala. E a agenda já está devidamente adaptada: a ponte-aérea virou um pedacinho do lar, as contas de telefone aumentaram e o desejo de consumo é um pouco de sossego. O músico e ator Alexandre Nero e a atriz Fabiula Nascimento não pensam em reclamar e já cruzam os dedos para que este ano siga os moldes de 2008. Afinal, os dois foram um sucesso de público e de crítica – ele como o verdureiro Vanderlei, da novela A Favorita, e com as estripulias no palco do grupo Denorex 80; e ela como a opulenta Íria, do filme Estômago. Esses dois curitibanos conversaram com o Viver Bem por e-mail – a agenda está adaptada, mas nem tanto – sobre relacionamento, beleza e planos para o ano-novo.
Como a Íria e o verdureiro Vanderlei entraram na vida de vocês e qual foi o barulho que fizeram?
Fabiula – A Íria caiu na minha vida graças ao teatro, pois foi lá que fui vista pela primeira vez pelo diretor Marcos Jorge. Depois de uma bateria de testes fiquei com a personagem. Foi minha estreia no cinema. O filme está tendo repercussão internacional, tem ganhado prêmios mundo afora (ela recebeu o prêmio de melhor atriz do festival Funchal, em Portugal). Depois disso já rodei outros dois longas (A Guerra dos Vizinhos e Reflexões de um Liquidificador) e estou me preparando para filmar mais um, que tem o título provisório de Ninguém Vive Sem Amor.
Alexandre – Também foi por causa do teatro que acabei sendo chamado para a televisão. Quando fiz o espetáculo Os Leões, fui visto por alguns produtores de elenco da Rede Globo. Daí veio o convite para participar do Casos e Acasos e, logo em seguida, da novela A Favorita. Soube, dias atrás, que fui escolhido como uma das revelações do ano de 2008 da Rede Globo.
A vida de vocês mudou muito? Como vocês têm lidado com a nova rotina (ou com a falta dela), com as agendas, o reconhecimento do público e as perspectivas de novos trabalhos?
Fabiula – Mudou muito! Estamos morando em duas casas – uma no Rio de Janeiro e outra em São Paulo –, convivendo semanalmente com viagens de trabalho. Já ficamos um mês sem nos ver, só falando por telefone. Tive de fazer novos amigos e me adaptar ao Rio de Janeiro. Desde setembro não volto para Curitiba.
Alexandre – Eu vejo tudo isso como a eterna insatisfação humana. A rotina, por exemplo: quando temos, queremos não ter; quando não temos, é tudo que desejamos. E eu desejo agora uma rotina daquelas bem monótonas…
Como fica o “conflito de agendas”, que sempre leva a culpa pelas crises nos relacionamentos?
Fabiula – Eu acho que pode ser bom, afinal, a gente não tem o comando das coisas e tudo vira surpresa. Acho que dá mais saudade e a gente quer se ver mais.
Alexandre – Respeitar a “agenda” do outro é pensar que cada um precisa de um tempo. Afinal, somos duas pessoas que decidiram viver juntas, mas ainda assim somos duas pessoas.
A Íria causou um rebuliço na cabeça dos homens e das mulheres. Afinal, em tempos de ditadura da magreza, ela mostrou que a sensualidade não é tão esquelética assim. Como vocês veem isso?
Alexandre – Céus, de onde tiraram que a sensualidade é esquelética? Sensualidade não está nem no corpo!
Fabiula – A ditadura da magreza existe e é uma pena que exista. Todas as pessoas numa conversa sempre largam um “eu preciso emagrecer”. Eu mesma, depois do filme, emagreci sete quilos.
Para você, Fabiula, como foi expor no filme essa sensualidade tão generosa?
Mergulhei com tudo. Entrega total, parceria e muito respeito. Foi assim que a Íria aconteceu nas telas. Todo trabalho que tive, as noites mal dormidas, a parceria em casa e nos ensaios estavam ali. Foi, sem dúvida, o meu maior desafio até agora.
Bateu ciúmes, Nero? O que você achou da Íria?
Ciúme bateu, mas logo passou! Quando você sabe o que é filmar, o que é estar num set e como é constrangedor para a equipe, o ciúme passa. Quer saber como eu divulgava o filme para os meus amigos? “Quem quer ver minha mulher pelada?” (risos). Quando assisti, não conseguia ver minha mulher ali. Era a Íria. A Fabiula deu carisma, simpatia e sensualidade de mulher com sensações de criança. A cena em que ela abre a geladeira é linda, sexy e, ao mesmo tempo, sem nenhuma conotação sexual.
Nero, você já disse que esse padrão da magreza a todo custo não o agrada. Você acha que boa parte dos homens pensa assim também? Magreza é neura feminina?
Definitivamente homem não gosta de magreza, assim como não é num corpo malhado de um homem que se esconde o desejo da mulher. Bonito é. Até eu acho bonito homens de corpo escultural, mas daí, achar que isso é sex-appeal, que isso é o que as mulheres procuram, é um equívoco. Essas regras são furadas, servem apenas para revistas de moda. Na vida real não é assim. Até mesmo a tevê está começando a reconhecer galãs que há dez ou quinze anos seriam motivo de chacota.
Falando em ciúmes, o verdureiro Vanderlei também anda arrancando suspiros por aí. Isso sem falar das aparições no Denorex 80. Vocês lidam bem com isso, conversam?
Fabiula – Que Vanderlei, que Denorex, que nada! O Alexandre Nero arranca suspiros desde que eu me conheço por gente. E não é nada fácil lidar com isso.
Alexandre – Exagerada!
E o que vocês acham que o Vanderlei tem que caiu no gosto do público?
Alexandre – A gentileza. O povo brasileiro é muito gentil, apesar de esquecer isso de vez em quando. Mas como o assunto é televisão, pense um pouco: os vencedores do Big Brother sempre foram pessoas mais humildes ou do interior, ou de minorias… Eu acho que os brasileiros gostam que o bem vença no final.
Fabiula – Ele é um bom moço, trabalhador, honesto. Isso tudo agrada muito, mas sem um profissional tão competente quanto o Alexandre não teria o alcance que teve.
Quais os planos de vocês para a carreira em 2009?
Fabiula – Começo o ano filmando o novo longa do Jorge Duran e continuo conciliando as viagens pelo Brasil com o espetáculo D. Graça, mas Tem que Pagar, ao lado da minha amiga Katiuscia Canoro (a Lady Kate, do Zorra Total).
Alexandre – O que está certo é que estreio em março no Festival de Teatro de Curitiba a ópera cômica As Sete Caras da Verdade, do Nico Nicolaiewski (da dupla Tangos e Tragédias). Fora isso, tem o lançamento do segundo longa do Marcos Jorge, Corpos Celestes.
Colunistas
Agenda
Animal


