Histórico

Rumo à prática em 2011

Michele Bravos, especial para a Gazeta do Povo – micheleb@gazetadopovo.com.br
25/12/2010 02:09
É provável que essas novidades só façam parte do nosso dia a dia daqui a um bom tempo. Enquanto isso, cabe a esta geração continuar adaptando a rotina a um modo de vida mais consciente. Se­­gun­­do o en­­­­ge­nhei­­ro civil Fer­nando Arns, professor da PUCPR e coordenador do programa Ecohabitare Sistemas Susten­táveis, encontrar caminhos para os problemas do cotidiano é colocar em prática o conhecimento.
Para o meio ambiente, não há mensuração de atitudes, há uma relação de escolha e consequência que será percebida no futuro. Por isso a importância de ensinar às crianças o valor da preservação do mundo em que elas vivem. O engenheiro considera que, independente da classe social, a educação ambiental deve ser ininterrupta e começar com os pequenos. “As crianças deveriam aprender a cuidar do meio am­­biente na escola, pois passariam isso adiante – para os pais e depois para outras gerações. Daqui a 20 anos, desfrutaríamos disso”, afirma Arns.
O pensamento sustentável é construído progressivamente e não vem com manual. A melhor atitude sempre será aquela mais adequada ao contexto de cada um. Desde criança, ensina-se que o lixo deve ser separado, mas antes de ir para o cesto vermelho, uma garrafa PET pode ter outra utilidade. Arns incentiva o reaproveitamento: “A garrafa pode virar um brinquedo ou um utensílio doméstico.” Mais algum tempo de uso e então ser descartada, ou melhor, novamente reutilizada, sendo triturada para virar fibra de tecido ou misturada à madeira.
Construção sustentável
Os próximos passos norteados pela sustentabilidade tendem a estar associados ao desenvolvimento de tecnologias voltadas para a construção civil e projetos urbanos verdes. “Devemos pensar de forma sistêmica, voltando a atenção para onde as pessoas moram”, afirma Arns.
O programa Eco­­habitare Sistemas Sustentá­veis, da PUCPR, coordenado por Arns, foi vencedor do prêmio Embaixador Mundial da Bayer 2010, junto com outros três vencedores internacionais e desenvolveu a partir de resíduos industriais, entre eles o pó de mármore, tijolos ecologicamente corretos. Calhas de Tetra Pak e hortas verticais de PET também compõem a lista de boas ideias do programa.
Consumo consciente
Uma pesquisa realizada em 2010 pelos institutos Akatu e Ethos, com patrocínio do Bradesco, Faber Castell, Santander e Walmart e efetuada pela GfK, buscou traçar um panorama sobre o tema sustentabilidade durante o ano de 2010. Mesmo com a forte difusão do termo sustentabilidade, ele ainda não é compreendido por cinco em cada dez pessoas, segundo dados do estudo. A pesquisa mostra que a população tem interesse nos temas ecologia e meio ambiente, mas ao que tudo indica essa ainda é uma predisposição muito abstrata que não assumiu forma significativa e definida.
Os jovens, na faixa etária de 16 anos, e os adultos de até 44 anos, com menor escolaridade e de classes C e D, tendem a ser os consumidores menos conscientes. Já, o perfil engajado aparece com mais intensidade entre os consumidores acima de 45 anos, com graduação e de classes A e B.
Segundo a pesquisa, uma possível justificativa para a relação existente entre os consumidores de classe C e D serem apontados como os menos conscientes é o rápido aumento de poder aquisitivo destas classes nos últimos anos. Segundo Pedro Jacobi, professor do programa de pós-graduação em Ciência Ambiental da Univer­sidade de São Paulo, as pessoas são muito estimuladas a consumir, perdendo a percepção dos atos. O consumo excessivo é visto como símbolo de status. O problema é que assim o mundo está sendo consumido por atitudes desenfreadas.
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Interatividade
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