Histórico

Sobre deuses e humanos

Érika Busani
26/06/2006 00:37
erikab@gazetadopovo.com.br
Doze deuses da mitologia grega e as metáforas que elas representam no processo terapêutico. Esse é o caminho trilhado pelos psicólogos Dalmo Silveira de Souza e Solange Maria Rosset no livro A Magia da Mudança.
Em linguagem acessível, os autores decodificam a simbologia dos mitos e sua relação com nossa vida. Assim, Deméter e Perséfone representam o vínculo, Hera mostra a importância das parcerias e Ártemis, a responsabilidade da livre escolha. Depois, ramificam essa metáfora no que chamam de “movimentos no processo”, ou seja, várias formas de entender e usar os sentimentos e mudar os padrões a que estamos habituados, sempre em favor próprio e, conseqüentemente, das relações que vivemos.
Em cada capítulo, os terapeutas indicam “facilitadores de movimentos”: uma seleção de filmes, livros, músicas e poesias já usados por eles como instrumentos terapêuticos na prática clínica. É interessante para nós, leigos, descobrir outras leituras possíveis, ângulos não imaginados em algumas dessas obras. A idéia central, claro, é o autoconhecimento, fim maior de qualquer terapia. Afinal, só por meio dele a mudança é possível.
Uma observação sobre o título do livro. Piegas, a princípio. No capítulo sobre Hefesto, com o subtítulo “A magia de atar e desatar nós”, compreende-se o sentido de magia. Diferente da mágica – sentimento infantil de que alguém ou algo virá para resolver nossos problemas –, a magia é apresentada como “a capacidade de encantar-se com as pessoas, com as situações, com as relações, com a própria vida.” É a capacidade de ter esperança e fé na vida, ao mesmo tempo sabendo que não há vida sem sofrimento.
Serviço: A Magia da Mudança, de Dalmo Silveira de Souza e Solange Maria Rosset. Editora Sol, R$ 40.
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Ajuda
As 10 Bobagens mais Comuns que as Pessoas Inteligentes Cometem e Técnicas Eficazes para Evitá-las
Arthur Freeman e Rose DeWolf
Editora Guarda-Chuva
O terapeuta cognitivo e a jornalista apresentam técnicas para combater pensamentos contraproducentes – como catastrofismo, perfeccionismo e mania de perfeição – e ter mais controle sobre a sua própria vida, trabalho e relacionamentos pessoais.
Letrinhas
Os Maias
Alberto Beutenmüller e Wanderley Loconte
Editora Saraiva
A obra infanto-juvenil reconta a história do povo maia através da literatura. Kin, um filho de lavrador, fica amigo de Zuvuya, um príncipe maia. Mas nesta antiga civilização o contato entre nobres e lavradores não era permitido e eles têm de decidir se respeitam ou se mudam a tradição.
Clássico
O Apanhador no campo de centeio
J. D. Salinger
Mais de 50 anos depois de lançado, ainda é uma das mais marcantes obras da literatura norte-americana contemporânea. Com um naturalismo muitas vezes perturbador, Salinger conta a história de um adolescente de 17 anos, inconformado, entediado e extremamene autêntico. Ele se ressente da hipocrisia que cerca os colegas e a escola em que estuda e da qual foi expulso. O livro narra os poucos dias em que esse filho de burgueses nova-iorquinos vaga pela metrópole enquanto não se apresenta aos pais na qualidade de um ex-estudante. Ele tem os encontros típicos da noite – prostitutas, álcool, cigarro –, que não o atingem de forma dramática. Estamos falando de alguém cuja inteligência é capaz de derrubar as hipóteses mais arraigadas da sociedade – ele despreza cinema, atletismo, garotas idiotas (só as idiotas). Mas tem no amor à irmã o contraponto à amargura que cultiva em relação ao mundo. Enfim, um rebelde sem causa, que mantém de forma avessa e depressiva o romantismo da juventude. Por isso a importância e simbolismo do livro.
Danielle Brito
Aspas
“Eram elas as senhoras-donas, ali no beco do Calabrote. Quem transitasse pelo beco, tivesse cuidado… Passasse quieto e bonzinho. Não se engraçasse nem fizesse cara de pouco. E quem fosse de entrar, empurrasse a porta de dentro, com fala curta e dinheiro pronto. Escândalo de mulher-dama não dava; nunca deu; também, nunca foram levadas, como tantas, para capinar na frente da cadeia. Família de respeito podia passar toda hora, não via nada. Macho, porém, que não se fizesse de besta… Eram donas e autoridade no beco. O beco era delas. E tinham prestígio.”
De Estórias da Casa Velha da Ponte,
de Cora Coralina.
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Eu leio
“Estou estudando as terapias energéticas corporais. Desde as bases dos trabalhos de Reich, simbolismo e física quântica. Um dos títulos que estou lendo agora é Medo da Vida, de Alexandre Lowen, que faz uma análise surpreendente sobre destino e escolhas que fazemos no dia-a-dia.”
Angélica Sanches, estilista.