Quando você namora há alguns anos, é inevitável depois de um certo tempo começar a ouvir “quando vão casar?” “Já marcaram a data?” Não existe pessoa – parente, amigo, conhecido e até desconhecido –, lugar e evento social em que esse tipo de pergunta não seja feito. Quando finalmente você casa, passa a ser questionado sobre quando virão os filhos.
Bom, soube que seria pai quando voltei de uma viagem a trabalho em agosto de 2006. Fiquei entusiasmado, não sabia bem o que fazer. As semanas foram passando e a sensação de ser pai estava presente, mas a ficha só foi cair realmente quando a Lenise, minha mulher, fez a primeira ecografia.
Na época, as pessoas mais próximas começaram a falar que teríamos gêmeos. Até que comecei a acreditar. Minha mãe lembrou que na nossa família vários primos têm filhos gêmeos. A minha sogra também teve gêmeas. Para frustração de alguns, teremos apenas um. Para a nossa pouca experiência, acho que foi melhor.
Na primeira ecografia, entramos numa sala climatizada e com pouca luz. Parecia uma sala de cinema, com telão e tudo. Até lamentei não ter levado pipocas. Começado o exame, o médico mostrou que era apenas um bebê e nos falou de outros detalhes, mas o que me chamou atenção foi o batimento acelerado do coração da criança. Estava com 160 batimentos por minuto e com o equipamento de som “soundround” da sala, imagine o barulho. Até perguntei ao médico por que o bebê estava tão nervoso. Ignorante. Ele me explicou que era normal naquela fase da gestação. Na saída, claro, compramos um DVD com os melhores momentos do exame.
Sabendo que teríamos apenas um filho (desta vez), passamos para a próxima fase, ou melhor, a ouvir as seguintes perguntas: “Quando nasce?”, “Já sabe o que é?”, “Quer menino ou menina?” A nossa filha vai nascer entre 27 de abril e 1.º de maio, se não for apressadinha e resolver adiantar sua vinda ao mundo. Descobrimos o sexo na segunda ecografia, quando o médico ficou expondo no telão de cinema as partes pudentas da minha filha. Lógico que compramos um outro DVD com o exame.
Agora, na reta final, a poucos meses do nascimento, a pergunta que mais escutamos é “qual será o nome?” Não, ainda não escolhemos o nome. O temor da Lenise é que eu repita meu pai, que saía de casa com um nome para registrar um filho e voltava com outro completamente diferente. O pai de minha mãe, que sempre acompanhava o seu Júlio ao cartório, era conivente. O meu nome era pra ser Gustavo. Os dois chegaram rindo em casa e o pai disse: “Coloquei Ricardo, coração de leão”. A única coisa que meu velho pai respeitou nos gostos da dona Dalva, minha mãe, foi colocar em mim e nos meus dois irmãos um segundo nome – José. Era promessa. Por isso que eu acho que ele respeitou.
Na família da Lenise, a dona Rachel escolheu os nomes das três primeiras filhas. Todos com L. Quando a Lenise nasceu, minha sogra achou por bem deixar seu Ernesto escolher o nome da caçula. Ele veio com Lindamir, para seguir a tradição do L. Dona Rachel não gostou, mas para não magoar o marido, pediu com jeito para ele pensar em outras opções. Quando ele apareceu com Lenise, dona Rachel aceitou rápido. Queria evitar surpresas.
Confesso que diante desse histórico, estou preocupado em ainda não ter escolhido o nome da bebê.
Interatividade
Qual nome você acha que o Ricardo deveria colocar na sua filha? Escreva para viverbem@gazetadopovo.com.br.
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Ricardo Marques de Medeiros, 37 anos, casado há quase 2 anos, repórter da editoria Brasil e ansioso pela chegada do primeiro filho.
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