Turismo

A cidade do cangaço

Adriano Justino
05/08/2010 03:11
Com 60 quilômetros de extensão, Cânion de Xingó pode ser visitado a bordo de um catamarã (R$ 50 por pessoa), em passeios de terça a domingo, que terminam com um delicioso mergulho nas águas turquesa, tendo as formações rochosas lapidadas pela natureza a milhares de anos como cenário. Perto do atracadouro, pode-se conhecer o Mirante da Usina Hidrelétrica de Xingó. Os mais curiosos podem parar para conhecer o Museu de Arqueologia de Xingó (MAX), também nas imediações da represa, que conta com 50 mil peças, entre esqueletos e utensílios, resgatados durante a construção da usina do sítio arqueológico de Justino, um dos mais importantes das Américas.
Canindé é uma aprazível cidadezinha de 23 mil habitantes, que guarda muitas histórias do movimento de resistência que ficou conhecido como cangaço. Há até moradores que conheceram cangaceiros, como o vaqueiro José Ventura Lins (Zé Leobino), que aos 86 anos é figurinha fácil nas praças da cidade, vestido à caráter recitando cordéis. “O passado me acompanha”, solta ele, que tinha 14 anos quando Lampião morreu. Pensou em entrar para o canganço?, pergunto. “Aquilo não é vida pra gente”, responde. E Maria Bonita, era bonita mesmo? “Era não, Maria de Pancada (mulher do cangaceiro Pancada) era mais”, confidencia Zé Leobino, que ganhou estátua de bronze ao lado das réplicas do casal mais famoso do sertão.
Centenário
Este ano, Canindé entra nos festejos do centenário de Maria Déia ou Maria Bonita, que abandonou o marido para ficar com Lampião. Diz a lenda, que o rei do cangaço deixou uma carta para o ex-marido de Maria dizendo que ela tinha ido por vontade própria.