Com sua arquitetura colonial preservada, ainda que pouca, a capital paraguaia começa a entrar no roteiro turístico da América Latina. Mantém as marcas da construção de um continente livre da metrópole européia. Apresenta, com muito orgulho, a referência de suas raízes nativas. Situação que deixa espaços equilibrados tanto para as origens do dominador espanhol quanto para as tradições dos indígenas guaranis.
Em Assunção ainda é possível passear tranqüilamente por suas ruas estreitas e limpas, sem medo de assaltos. A cada esquina, o turista encontra um policial atencioso para dar informação. Há pobreza. Há uma favela nas imediações do Rio Paraguai que banha a capital, mas ninguém pedindo esmolas na rua.
Conhecer Assunção é muito fácil. Melhor ainda tendo um mapa, que se pode obter, gratuitamente, em um dos postos de informações turísticas do aeroporto, na rodoviária, ou na recepção dos hotéis.
Em dois dias é possível conhecer seus principais pontos turísticos. A maior parte deles fica na área central, e todos muito pertos.
Apesar de ser uma cidade extremamente quente, para explorá-la o melhor é caminhar.
Muito bem arborizada, a capital paraguaia é uma cidade plana e de quarteirões simétricos. Com o mapa (ou não), você vai descobrindo, em cada passada, o conjunto histórico formado por prédios do século 19. Está tudo numa linha reta. Vai da antiga estação de trem Ferrocarrilho ao Palácio do Governo, passando por prédios do Poder Legislativo, Polícia Nacional, ministérios, Manzana Rivera e, por fim, pela Catedral e a Universidade Católica.
No Palácio López (assim chamado porque foi mandado construir pelo presidente Solano López), sede do governo federal, o visitante se impressiona com a belíssima construção, a maior do conjunto histórico. Em sua praça florida está um imenso mastro da Bandeira Nacional, hasteada em grandes solenidades.
No dia-a-dia, a bandeira em tamanho normal tremula à frente e atrás do palácio, cercado por seguranças. O visitante não pode se aproximar nem do jardim e muito menos do palácio. Na calçada existe uma linha (que eu não vi), e os seguranças chamaram, educadamente, a minha atenção.
A beleza do Palácio do Governo à noite torna-se ainda mais deslumbrante, pois totalmente iluminado é simplesmente cinematográfico. No jargão turístico “cartão-postal da cidade”, vale a pena voltar para vê-lo. Os paraguaios souberam usar muito bem a energia de Itaipu.
Esse cenário (jardim e palácio) pode ser apreciado, melhor ainda, sentado na varanda de um dos barzinhos/restaurantes do Centro Cultural Manzana Rivera. É neste centro cultural – uma casa de 1750 – que o turista encontra a história de Assunção. Salas de exposição, biblioteca, um resumo do desenvolvimento arquitetônico da cidade, desde o século 18 até os nossos dias.
O Panteon dos Heróis não fica nessa linha reta, à beira do Rio Paraguai. Mas não tem erro. Está em uma das principais ruas: Palma (as outras duas são a Estrela e a Oliva – todas paralelas), ao lado do grupo arquitetônico conhecido como Quatro Praças (a dos Heróis, da Liberdade, da Democracia e a do Uruguai).
O Panteon é uma pequena versão do Les Invalides, de Paris. O prédio e as bandeiras paraguaias lembram o da França. Construído em 1863 para ser oratório da Virgem de Assunção, não foi concluído por causa daa Guerra da Tríplice Aliança – Uruguai, Argentina e Brasil – (nós aprendemos na escola como Guerra do Paraguai – 1864/1870). Em 1936 é que se tornou em Panteon para homenagear os soldados que morreram na guerra.
Bem no centro fica o túmulo de Francisco Solano López, o presidente da época, que morreu na batalha de Cerro Corá (nordeste do país, próximo à fronteira com o Brasil). Ainda hoje López é reverenciado como herói. Ele dá nome à principal avenida, que liga o centro aos bairros mais sofisticados da zona leste.
Todos os sábados, às 10 horas, é realizada a cerimônia da troca da guarda. Não é como a de Buckingham em Londres, mas é interessante. A cada semana, a responsabilidade fica com uma das forças armadas: Marinha, Exército e Aeronáutica.
Compras
Quem gosta de fazer compras também não vai se decepcionar. Vai encontrar belos shoppings. Lojas com marcas como Gap, Banana Republic, Diesel, Old Navy, Guess, Beneton; cosméticos e perfumaria. E bom mesmo são os preços.
A moda segue as tendências brasileiras. Quase todas as lojas aceitam dólar, real, euro, peso argentino, peso uruguaio e os cartões de crédito. Um real compra em média G$ 2.200, a moeda local.
Outro atrativo dos shoppings é que em geral há um fluxo pequeno de pessoas circulando, o que garante compras sem atropelos ou barulho de crianças.
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