Turismo

Cafés: obsessão argentina

Adriano Justino
02/10/2008 03:03
Nas paredes do café, fotos de corridas e de pilotos que fizeram história no local onde antes eram realizadas competições automobilísticas. A maior imagem de todas, claro, é de Juan Manuel Fangio (1911-1995), pentacampeão da Fórmula 1.
No La Biela, um café expresso tradicional custa cinco pesos e 50 centavos, algo em torno dos R$ 3,30 (e o grão de café é brasileiro).
Borges
O Café Tortoni acabou de completar 150 anos. Por ter sido, segundo a lenda, um dos endereços favoritos do escritor Jorge Luis Borges (1899-1986), é um dos pontos turísticos mais procurados da cidade. Mesmo apinhado de estrangeiros que pipocam flashes a cada 15 segundos, o café tem um ambiente acolhedor. Pode-se pedir uma xícara de café com leite (mitad y mitad para metade de leite e metade de café, cortado para o pingado e lagrima para pedir mais leite do que café), mais três medialunas (croissants), por 11 pesos, ou R$ 6,60.
Ao fundo do café, as estátuas de Borges, Gardel e Alfonsina Storni (1892-1938) estão ali em homenagem ao trio célebre de clientes que freqüentaram o estabelecimento. Nas paredes, pendurados a esmo, estão quadros e fotos. O garçom é eficiente e, em vista dos gringos que precisa atender, até que é bem-humorado.
Outro café que vale uma visita é o London City, local em que Julio Cortázar (1914-1984) escreveu Os Prêmios.
Conheça o chorizo
O paladar argentino não vive sem churrasco e vinho. Na falta de uma comparação melhor, é o equivalente nacional à feijoada brasileira (o detalhe é que os brasileiros têm também o churrasco, mas enfim…).
A reportagem encarou o famoso bife de chorizo em quatro estabelecimentos diferentes. Se tiver de escolher só um lugar para comer a principal iguaria portenha, uma boa pedida é o restaurante La Cabaña. Embora ele tenha o estilo exagerado típico de uma churrascaria – com direito a um par de vacas empalhadas em tamanho natural logo na entrada –, a carta de vinhos é respeitável e a carne, fora do comum. Assada ao ponto, ela podia ser cortada por uma colher e vinha com vários acompanhamentos – todos se tornaram dispensáveis diante do sabor e dos 500 gramas do bife.
Ao longo do jantar, foram servidas garrafas de um malbec Saint Felicien, produzido pela vinícola Catena Zapata, uma das melhores da Argentina. Outras duas marcas que parecem ser consenso são Luigi Bosca (o que inclui o selo La Linda, com uma ótima relação entre preço e qualidade) e Rutini. Para se comprar sem medo.