A explicação para tanta pluralidade começa pelo fato da ilha, repleta de belas praias, ser divida em dois lados: um francês e outro holandês. E não pense que se trata só de uma divisão simbólica entre as nacionalidades. É como se, realmente, existissem dois países em um mesmo espaço, divididos somente por uma simples placa, que tem a grande responsabilidade de delimitar os 41 km² da parte holandesa (St. Maarten), dos 54 km² da parte francesa (St. Martin). Por lá, tudo acontece em dose dupla e de forma diferente, dependendo do lado da ilha em que se encontra.
Como são dois sistemas de governos distintos – a parte holandesa comandada pelas Antilhas, direto de Curaçao, e a francesa direto de Paris – há calendários e leis independentes nos dois lados. Um feriado como da queda da Bastilha, em 14 de julho, por exemplo, faz o lado francês parar, enquanto na parte holandesa todos continuam trabalhando. E por aí vai: são dois salários mínimos diversos (1.200 euros no lado francês e três vezes menos no holandês), duas datas e comemorações diferentes para o dia das mães, dois carnavais e dois dias dos namorados – tudo de acordo com a nacionalidade que reina na areia onde se está pisando. Para o turista, esse “dois em um” traz só vantagens. Como não há fronteira e a ilha é bem pequena, o visitante pode ir e vir a qualquer hora e aproveitar bem os dois lados europeus.
A partilha
O bom convívio entre holandeses e franceses começou por necessidade, quando as duas nações precisaram unir forças para lutar contra Cristóvão Colombo, que ocupou a ilha em 1493 e tentou expulsá-los. A França e a Holanda se uniram para lutar contra a Espanha e, depois de vencer a batalha em 1648, assinaram um tratado dividindo a ilha entre si.
Como se as duas nacionalidades já não fossem suficientes para a diversidade cultural da ilha, a cada dia chega um turista de algum lugar do mundo, se apaixona pelo local e fica por lá mesmo. E aí o ciclo recomeça: mais um povo que cria raízes em St. Martin, influencia os costumes, o idioma e a gastronomia local. E as chances de isso acontecer com uma certa frequência é grande, afinal a ilha recebe 1 milhão e 700 mil turistas no ano – desses, 550 mil chegam com cruzeiros e 1 milhão e 200 de avião. “Eu vim pra cá passar férias, me apaixonei pelo lugar e nunca mais fui embora”, esse é o resumo da história de muitos estrangeiros que moram em St. Martin/St. Maarten. A cada esquina, é possível encontrar gente como o argentino Pablo Piscione, que largou o escritório de contabilidade em Buenos Aires para montar uma empresa especializada em esportes náuticos, ou como o capitão Rodick Lagoon, do barco Golden Eagle, que depois de uma visita à ilha com os amigos, nunca mais voltou para a República Tcheca. Todos encantados com o lugar que promete sol o ano inteiro (temperatura média 28 graus) e uma qualidade de vida incomparável, regada a muito banho de mar e paisagens inesquecíveis.
Fique sabendo
– O uso do dinheiro dos dois lados da ilha exige atenção. Na parte holandesa, a moeda mais usada é o dólar. A oficial é o florim, mas nem o vemos circulando. O euro também é bem aceito. Na parte francesa, o euro é a principal moeda. Em alguns lugares, o dólar também é aceito. Por isso, fazer compras na porção territorial da Holanda é mais vantajoso – o câmbio entre o real e o dólar é mais favorável para os brasileiros.
– Como nem tudo na vida é absolutamente perfeito, a ilha tem dois probleminhas. O primeiro deles é o trânsito. Dificilmente, alguém no Caribe está com pressa ou estressado, mas é bom ficar atento aos horários de maior engarrafamento (fim de tarde) para não perder horários de passeios ou outros compromissos. O outro “pequeno grande” detalhe são os mosquitos. Não há hora para o ataque. Os insetos caribenhos estão sempre prontos para saber que gosto tem o seu sangue. Para não perder os dias se coçando, passe repelente a cada três horas e evite deixar a janela do quarto aberta. Os repelentes de spray são os mais práticos. Custam a partir de US$3.