Luciane Horcel, repórter do Caderno de Turismo
O sabor de uma comida é como o cheiro de um perfume, de um ambiente. Vem sempre carregado de muitas lembranças. Por isso, cada vez que me serviam um prato generoso com tutu de feijão, bisteca de porco, torresmo e couve, minha avó materna e todos os dias felizes que passei ao lado dela, deitavam sobre os talheres. Ao longo da viagem, lá estava Dona Anna de novo, presente no jeitinho mineiro de falar ou na repetição de causos das fazendas do interior, que tanto ouvi na minha infância. Com lembranças tão afloradas, não foi difícil imaginar que era ela quem estava me levando para conhecer aqueles lugares fascinantes.
Subi e desci ladeira de braços dados com a minha avó e, pelo menos duas vezes ao dia, nos sentamos para comer o queijinho que ela tanto gostava. Ainda visitamos juntas muitas igrejas e a vi repetir o sinal da cruz em todas elas — ato mais que esperado de uma mulher que perdeu nove filhos, mas nunca a fé. “Você ia ficar ‘paxonada’ pela minha terra, Luizinha”, costumava dizer. Mais uma vez, ela estava certa.
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