Turismo

Cultura nordestina

Dado Dantas é produtor de eventos.
10/08/2006 22:11
Em plena crise da aviação brasileira e alta temporada de férias, resolvi viajar para Pernambuco para visitar a sétima edição da Fenneart (Feira Nacional de Negócios do Artesanato) em Olinda. Saí de Curitiba, com um grupo de amigos, num vôo programado para Brasília e depois para Recife. Vários problemas da companhia aérea nos obrigaram a dormir em Brasília. Resultado: perdemos as diárias de hotel que já estavam pagas em Olinda. No dia seguinte seguimos para Recife, porém com escalas em Belo Horizonte e Salvador.
Em Olinda, ficamos num hotel no centro da cidade, com coqueirais e muita área verde. A estrutura é maravilhosa, com vista para o Centro Histórico e a Catedral da Sé. Porém, o lugar não possui uma boa qualidade de serviço. O café da manhã, por exemplo, é igual ao de qualquer hotel três estrelas no mundo e não oferece nada da tradicional gastronomia nordestina. Um fato que chamou a nossa atenção é que mais de 90% dos hóspedes, na ocasião, eram estrangeiros, a maioria deles da Holanda, França, Estados Unidos e Portugal. Grande parte dos estrangeiros vão para Olinda por motivos profissionais, com a finalidade de realizarem pesquisas culturais.
Ficamos dez dias em Olinda. Umas das principais vantagens de estar lá foi poder percorrer a cidade a pé. O passeio nos fez retornar ao século 17, pois Olinda ainda tem características que lembram a época da colonização portuguesa e a invasão dos holandeses. É possível encontrar charretes circulando pelas ruas e muitos artistas populares. Pudemos apreciar também a profusão de folhas de ouro nas igrejas barrocas da região. Considerada Patrimônio Histórico e Cultural, a cidade abriga artistas renomados que possuem ateliês próprios, onde se podem comprar obras de arte belíssimas por um preço acessível.
O principal objetivo desta viagem era cultural. Uma das pessoas do grupo foi a presidente do Provopar PR (Programa do Voluntariado), Lúcia Arruda. Ela era a responsável pelo estande do Paraná na Fenneart, que expõe as peças de artesanato do Provopar. Aliás, a feira concentra trabalhos de artesãos e artistas populares de todo o país: um verdadeiro banho de cultura. É interessante como a união de diferentes trabalhos, dos mais diversos lugares do Brasil, num mesmo local, possibilita a clara delimitação de como cada região se expressa.
Também visitamos Recife. A parte antiga da cidade é divina, com várias pontes e construções herdadas da influência holandesa e portuguesa. Na Praça do Porto, sobre um recife natural, o famoso artista Francisco Brennand criou um parque de esculturas para a cidade. Ele também doou para a praça uma escultura gigante que gerou muita polêmica na época, pois Brennand é conhecido por trabalhar com símbolos fálicos.
Não pude deixar de conhecer a antiga olaria de Ricardo Brennand, pai de Francisco, no bairro da Várzea, em Recife. A fábrica, fechada em 1945, foi reconstruída por Francisco em 1971 e hoje é chamada de Oficina Cerâmica Francisco Brennand. O local tornou-se um ponto turístico e abriga mais de duas mil peças das obras do artista. Além disso, possui uma cafeteria maravilhosa. Em Curitiba, as manifestações de Francisco Brennand podem ser conferidas em três obras que estão expostas na entrada do Museu Oscar Niemeyer e numa serpente que fica no lago do museu.
A 72 quilômetros de Recife, a cidade de Tracunhaém é um verdadeiro pólo da cerâmica. Há dezenas de ateliês e oficinas trabalhando com barro. O que mais impressiona é a perfeição das peças, que ainda são feitas no forno à lenha.
Por tudo que vi no nordeste brasileiro, torço para que a indústria do turismo acorde e ofereça melhores condições de infra-estrutura e logística aos turistas, explorando ainda mais as belezas naturais e históricas do nosso país. Assim, poderemos atrair mais capital de brasileiros e estrangeiros, diminuindo o desemprego e melhorando as condições de vida da população local.