Neve no Brasil é raridade. Para se ter idéia, faz mais de 30 anos que nevou em Curitiba pela última vez. Mas nem por isso os brasileiros apaixonados por esqui e snowboard deixam de praticar seus esportes preferidos, já que a solução para essa falta de neve pode estar a poucas horas de vôo, na Argentina e no Chile. O hoteleiro curitibano Alfredo Parodi faz parte dessa turma que, mesmo nascida no país do futebol, prefere um par de esquis a um par de chuteiras. “Em 1977 fui morar na Suíça, onde vivi por oito anos. Foi lá que aprendi a praticar o esqui e me tornei professor da modalidade. Mais tarde passei a praticar também o snowboard”, conta Parodi, presidente do Clube Paranaense de Ski e Snowboard (CPSS), filiado à Confederação Brasileira de Desportos na Neve (CBDN).
De acordo com Parodi, apesar da popularidade de Bariloche, na Argentina, que muitos chegam a chamar de “Brasiloche”, tamanho o número de brasileiros por lá, é o Chile que tem mais neve e as melhores pistas. Segundo ele, trata-se de uma questão geográfica. É no Chile que a Cordilheira dos Andes alcança suas maiores alturas, de 3 a 4 mil metros. Já na Argentina, a altitude é menor e a neve derrete até atingir o solo, virando chuva. “É por isso que em Bariloche – a cerca de 1.200 metros de altura – mais chove que neva. A neve não passa muito de 1,5 metro por lá”, explica.
As estações mais altas da América do Sul, a cerca de 3 mil metros e com média de 6 metros de neve, são as chilenas Portillo e Valle Nevado, essa última a preferida de Parodi. “No nosso continente, eu reputo Valle Nevado a melhor. Ela tem ótima estrutura, a maior área esquiável da América do Sul e está a apenas uma hora de carro da capital chilena, Santiago. Eu consigo sair de Curitiba e esquiar no mesmo dia em Valle Nevado”, fala ele, que já está com viagem marcada para lá no começo do mês que vem.
Aos esquiadores mais experientes e que gostam de radicalizar, a dica de Parodi é Portillo. “Lá existe uma pista chamada La Roca Jack que é ‘o bicho’, com uns 40º de inclinação”, diz. Por essa e por outras, ao lado de Valle Nevado, Portillo é muito visitada por equipes européias para seus treinamentos quando é verão no Velho Continente. Ainda no Chile, Parodi diz que a estação de Pucon é bastante procurada por snowboarders. “Pucon tem ótimos bows – pistas em forma de “u” que permitem manobras parecidas com as do skate.”
Já as estações argentinas, Parodi julga mais “fraquinhas” que as chilenas, mas chama a atenção para Las Leñas. “É onde mais cai neve na Argentina”, diz. Sobre a popular Bariloche ele fala que o lugar é mais para quem está atrás de badalação que para quem gosta mesmo de esquiar. “Como os preços dos pacotes para Bariloche são muito acessíveis, é impraticável ir para lá em julho. Tudo fica muito cheio e as filas para subir nas montanhas são intermináveis. Se for para viajar a Bariloche, que seja em agosto, com menos tumulto.”
Se você estiver pensando em calçar as botas de esqui ou subir numa prancha de snowboard pela primeira vez, Parodi dá uma dica importante: não faça nada sem antes ter a orientação adequada. “Um esquiador de primeira viagem deve fazer aulas. As melhores são as particulares, de uma hora, que custam US$ 25, em média. O que um bom professor ensina em uma semana de aulas você pode demorar várias temporadas para aprender se quiser fazê-lo sozinho.”
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