Turismo

De Salvador para o mundo

Gabriel Azevedo
01/03/2012 03:02
Com tantos países do currículo, fica difícil apontar um preferido. “Os lugares possuem características próprias e torná-los legais depende do seu interesse e do seu momento de vida. Para estudar, eu iria aos Estados Unidos, onde há excelentes universidades e um ambiente muito legal. Para mergulhar, Moçambique, Indonésia e as Filipinas são os meus países preferidos por causa da diversidade e da quantidade de vida marinha, além de hospedagem e alimentação baratas. Pela bagagem histórica e acervo de monumentos, o Egito e a China ótimos. Para visitar museus, a Europa Ocidental. Em termos de natureza, nenhum lugar do mundo se compara a Foz do Iguaçu e às praias do nordeste brasileiro”, revela.
Aos poucos, Raymundo trocou a hospedagem em hotéis cinco estrelas por outras mais simples, a fim de poder aproveitar mais e melhor os destinos. “Eu viajo por conta própria e dou preferência a promoções de empresas aéreas, albergues da juventude e hotéis mais baratos. Assim eu posso conhecer melhor o povo, a cultura local”, revela. Para o consultor, mais importante do que a quantidade de países, é a qualidade da visita. “O ideal é viajar com tempo. Tentar conhecer melhor e sem pressa cada lugar, seus habitantes, tradições, história, crenças e culinária”, aconselha.
A coleção invejável de locais visitados também inclui dificuldades e percalços. O transporte na África, por exemplo, é um problema. “Viajar por alguns países é bastante difícil. Usar avião nem pensar, as passagens são caríssimas”. Em 2007, foram necessários dois dias para percorrer 100 km na fronteira entre Guiné e Guiné Bissau. “Precisei de oito dias para ir da fronteira do Egito até Khartum, a capital do Sudão, viajando no fundo de uma camionete pequena e tomando alguns ônibus bem velhos, que chegavam a furar o pneu até três vezes no mesmo dia”, recorda.
Depois de vários carimbos no passaporte a pergunta que fica é: o mundo é grande ou pequeno demais? Para Raymundo, o mundo é gigantesco. “É impossível conhecer tudo e todos os lugares. Mesmo retornando ao mesmo destino várias vezes, é fácil perceber que as pessoas e as circunstâncias mudam, as estações se alternam e transformam a paisagem e, obviamente, o olhar e a percepção do viajante se transformam”, afirma.