Turismo

Em paraíso caribenho, o estresse não existe

Marian Guimarães - A jornalista viajou a convite do Governo de Curaçao e Avianca.
31/08/2007 00:56


O colorido das casas de Curaçao é marca registrada desta ilha com sol o ano todo.
São 38 praias de areia branca banhadas por um belíssimo mar azul-turquesa, com a vantagem de não ter atropelos e nem vendedores tentando empurrar alguma quinquilharia. O sol é generoso, responsável pela temperatura média de 28 graus durante o ano todo. A água, transparente, é um convite irresistível a banhistas e mergulhadores.
Isso é Curaçao, que junto com Aruba e Bonaire forma o ABC caribenho – a ilha combina essas belezas naturais com o charme de não ter sido (ainda) invadida pelo turismo de massa. Diferente de outras cidades do mundo, na placa dos carros locais não está o nome de sua capital, Willemstad, mas sim Bon Bini (bem-vindo), na interessante linguagem do papiamento.
Com toda essa beleza, Curaçao já foi considerada “Ilha Inútil” por seu conquistadores.
Isso ocorreu logo depois de sua descoberta, em 1499, pelo espanhol Alonso de Ojeda, um oficial de Cristovão Colombo, que participava de uma expedição à América com Américo Vespúcio. Ojeda não quis nem saber dessa ilha que não tinha uma vegetação que pudesse ser explorada economicamente, muito menos prometia reservas de ouro e prata. Como seu interesse era o de buscar riquezas que faziam sentido na época, virou as costas e partiu em direção a territórios mais promissores. Curaçao ficou, assim, esquecida.
Só foi ocupada de novo em 1634, pelos holandeses que acharam interessante montar ali um ponto de apoio para os seus planos expansionistas na América – na época, eles dominavam Pernambuco. Instalaram, então, a sede das Companhias das Índias Ocidentais. A ilha acabou virando um ponto estratégico para o comércio de escravos e, ao mesmo tempo, um refúgio seguro para perseguidos, como judeus portugueses e espanhóis fugidos da Inquisição.
Depois, a ilha passou de mão em mão: ingleses, espanhóis e holandeses. Deu no que deu. Um lugar com uma mistura de raças, com uma língua – papiamento – que é uma verdadeira Torre de Babel. São palavras e sons que vêm do holandês, inglês, espanhol, português e dialetos africanos. Para arrematar, sua arquitetura é semelhante às de cidades da Holanda, a diferença está somente nas cores. Curaçao é um verdadeiro arco-íris.
Adepta da globalização há muito mais tempo do que o resto do mundo, a ilha importa quase tudo do que precisa. Os genêros alimentício vêm da Venezuela (os barcos de frutas e legumes chegam todo dia para a feira); os carros, dos Estados Unidos e Japão; os perfumes, da França. Em troca, vende serviços, principalmente de sua refinaria de petróleo e do seu porto, que é um dos maiores do mundo, o segundo das Américas, atrás apenas de Nova Iorque.
Curaçao tem uma das mais altas rendas per capita de todo o Caribe – US$ 9 mil – e a inflação não ultrapassa os 3% ao ano. Além disso, 90% de seus habitantes são alfabetizados. A primeira língua é o holandês, mas quase todo mundo fala bem inglês, espanhol e papiamento.