Turismo

História nos museus e nas ruas da capital

Annalice Del Vecchio
06/08/2009 03:04
É um pouco mórbido, mas a vista do templo iluminado compensa. Na Huaca Pucllana, onde as mulheres eram sacrificadas em rituais religiosos, pode-se saborear um belo jantar no restaurante de mesmo nome situado em pleno sítio arqueológico (leia quadro).
Para beber, peça a chicha morada, um suco de milho preto que costumava ser derramada na terra, logo ali em frente, para celebrar a mãe terra (Pachamama).
Pontos históricos
A Plaza das Armas, ponto mais importante da cidade, está rodeada pelo Palácio do Governo, a prefeitura, a Catedral de Lima e o palácio arcebispal. As edificações são ricamente adornadas com balcões de madeira, uma característica herdada da influência moura na arquitetura colonial espanhola, onde os religiosos podiam ver sem ser vistos.
Próximo ao Palácio do Go­­verno, está o Convento de São Francisco, em estilo barroco, construído poucos anos após a fundação da cidade.
Dentro, uma biblioteca com 25 mil livros antiquíssimos não pode ser espanada nem restaurada, sob o risco de se desmanchar diante dos olhos.
Vale a pena apreciar ainda a coleção de arte colonial e as funestas catacumbas onde os ricos da época estão enterrados uns sobre os outros – calcula-se que, entre 1600 e 1723 foram depositados ali cerca de 30 mil esqueletos.
Santuários andinos
A 30 quilômetros de Lima, está um dos mais importantes santuários andinos, em atividade de 200 a.C a 1593 (ano da chegada dos espanhóis): o Templo de Pachacamac, antigo oráculo da cultura Ishtma, ocupado, mais tarde, pelos incas, que construíram ali os templos do Sol e da Lua.
Para visitar os 460 hectares – boa parte ainda inexplorada devido aos recursos escassos do governo diante de tanta história –, é preciso ir de carro e contar com um bom serviço de um guia.
Também se recomenda chapéu e filtro solar. O passeio começa por um pequeno museu, criado em 1965, que abriga réplicas das estátuas do Deus Pachacamac, encontradas espalhadas por todo o templo.
Arte para maiores
Alguns museus são obrigatórios, como o Museu de Arte de Lima, com uma impressionante coleção de arte dos inúmeros povos que habitaram os Andes. Mas o pequeno Museu Nacional Larco Herrera pode ser tão interessante ou mais.
Fundado em 1926 por Rafael Larco Hoyle (1901-1966) com peças que ele desenterrava aleatoriamente dos terrenos peruanos férteis de história, muitos deles ainda inexplorados, o espaço abriga 45 mil objetos de arte das civilizações incas e pré-incas – boa parte guardadas em um impressionante depósito catalogado e aberto ao público, em grandes prateleiras de vidro.
O museu é impecável, com boa iluminação e identificação dos objetos, que incluem ornamentos em ouro, entre eles, gigantescos piercings usados pelos incas. Guarda, ainda, uma surpresa para o fim da visita: uma sala reservada à arte erótica. De deixar vermelhos os mais pudicos.