treze instituições de ensino de Curitiba oferecem o curso de graduação em Turismo, somando anualmente mais de 1.500 vagas. Menos da metade dessas vagas são preenchidas e alguns cursos têm dificuldades para formar turmas. Ao final de três ou quatro anos (o tempo de duração do curso varia de acordo com a instituição), cerca de 500 novos turismólogos entram no mercado com um diploma na mão e muitas idéias na cabeça. “Eu quero sair um pouco de Curitiba, ganhar experiência e um currículo legal. Depois volto para cá para trabalhar com eventos”, diz Flávia Batista Santos, 19 anos, que se forma neste ano em Turismo pela Universidade Tuiuti do Paraná (UTP).
Como Flávia, muita gente que se gradua em Turismo deve sair de Curitiba para trabalhar. “Há um verdadeiro êxodo de mão-de-obra. Temos alunos que vão para o exterior e ficam por lá”, diz Dario Paixão, coordenador do curso de Turismo do Centro Universitário Positivo (Unicenp). E isso não se dá à toa. De acordo com José Gândara, coordenador do curso da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e presidente do Fórum Paranaense de Cursos Superiores de Turismo e Hotelaria, Curitiba é referência nacional e internacional na formação de bacharéis em Turismo.
Para a coordenadora do curso de Turismo da Faculdade Internacional de Curitiba (Facinter), Simone Ramos, o êxodo de mão-de-obra qualificada ocorre porque, apesar de estar em franca expansão, o mercado interno do Turismo ainda não é dos melhores para quem sai da faculdade: paga muito mal. É também o que verifica Susana de Lopardo, diretora de Capacitação Profissional da Associação dos Agentes de Viagem do Paraná (Abav-PR). “O mercado não tem absorvido bem o profissional graduado em Turismo porque ainda não o reconhece como ele merece”, analisa.
Outro problema levantado por muitos é a falta de regulamentação do exercício profissional – ver box. Ou seja, não é preciso ser formado em Turismo para atuar na área. E a lei de mercado é cruel: menor a formação, menor o salário. “Como qualquer pessoa sem diploma pode trabalhar com Turismo, ganha-se pouco. O salário inicial em uma agência é de cerca de R$ 600”, diz Cathya Harbar Pena, 39 anos, formada em Turismo há 19 anos pela UFPR.
Se o mercado não é dos mais fáceis, a faculdade também não é. “Há muitos casos de desistência de alunos porque descobrem só na faculdade que nós trabalhamos para os outros viajarem”, conta André Poletti, coordenador do curso na UTP. Ou seja, quem inicia um curso de Turismo tem que saber desde logo que a vida do turismólogo não é vida de turista. “Eu não acho que vai ser moleza. O curso é muito abrangente”, diz Carlos Alberto Castro Sottomaior Bond, 19 anos, aluno do 1.º ano de Turismo do Centro Universitário Positivo (Unicenp).
Quem está começando, como Alberto, deve procurar, além da faculdade, cursos complementares. “Falar outros idiomas é fundamental”, avisa Samira Khelili, coordenadora do curso de Turismo da Faculdade Opet. “Depois de sair da faculdade, o novo turismólogo deve viajar, conhecer in loco as coisas. Um mês de viagem vale mais que um ano de curso”, recomenda Cathya.
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