Turismo

Mudanças de vida em cima das bikes

Adriano Justino
09/11/2006 21:50
Depois de vários anos de funcionalismo público, o técnico em edificações Gestennberger de Souza Reis decidiu dedicar-se a sua verdadeira paixão: a bicicleta. Isso foi em 1996, quando criou a Bike Sul Adventure. Desde então, o hoje guia de cicloturismo Gestenn, como é conhecido pelos clientes e amigos, organiza passeios turísticos para quem gosta de pedalar. “Quando o setor em que eu trabalhava na empresa fechou, tive de me virar. Com o apoio da minha esposa, Tânia, que também pedala, comecei a empresa”, conta.
Segundo ele, o cuidado e a criatividade na hora de desenvolver um roteiro cicloturístico são fundamentais. “Você pode ir de Curitiba a Ponta Grossa pelos caminhos mais conhecidos, mas dá para fazer esse trajeto por pequenas estradas, atravessando fazendas – com as devidas autorizações, claro”, diz. Outra coisa importante para o guia: cicloturista de verdade não compete, quem compete é ciclista. Ou seja, nada de sair correndo por aí.
A pressa não é mesmo uma característica dos cicloturistas. Tanto que Gestenn diz gostar de parar para conversar com os moradores dos locais por onde passa, de quem recebe dicas importantes. “As informações dessas pessoas não estão num guia comum, para quem viaja de carro”, salienta. E esse contato humano é típico do cicloturismo também em relação ao grupo de viajantes, como reforça o lema do guia. “Se você pedala sozinho, talvez vá mais rápido. Mas, se pedalar acompanhado, vai mais longe”.
Uma das integrantes mais populares do grupo que viaja constantemente com Gestenn é Tânia Mara Berlintes, mais conhecida como Tânia 220. O apelido é uma alusão à voltagem de 220 volt, tamanha a energia dessa aposentada de 50 anos – cicloturista há cinco anos. Tânia é a responsável pelos relatos das viagens que o grupo da Bike Sul faz. “Comecei escrevendo para contar para os netos, que ainda não tenho, as aventuras de uma avó muito pirada. Mas o pessoal todo gostou e hoje eu publico os relatos no site da Bike Sul [www.bikesul.com]”, conta. Hoje ela até pensa em escrever um livro e participa de grupos de cicloturistas do Paraná, Santa Catarina, Espírito Santo e Minas Gerais. “As primeiras viagens são cansativas, mas logo se pega o jeito. Para você ter idéia, entre dezembro do ano passado e janeiro deste ano, pedalei quase 560 quilômetros em 11 dias.” Isso é que é energia. (VD)