Turismo

Muito além dos safáris

Giovani Ferreira
05/04/2007 22:03
A escolha do país como sede da Copa do Mundo de 2010 tem revelado uma África do Sul muito além dos safáris. A busca pelos “big five” ainda mexe com a imaginação dos turistas que visitam a região. Ficar a poucos metros dos cinco grandes animais – leão, leopardo, rinoceronte, búfalo e elefante –, realmente justifica a opção número 1 dos visitantes e a relação sul-africana com os animais selvagens, imortalizada nos filmes de aventura.
Engana-se, porém, quem imagina que o turismo local resume-se a entrar num jipe e passar o dia na selva. Claro que não dá para visitar o lugar sem fazer um safári – seria quase que um sacrilégio. Mas emoção mesmo é descobrir o que o país tem além dos parques silvestres. De Johannesburg a Cape Town (ou Cidade do Cabo), de um extremo a outro da África do Sul, a diversidade cultural, étnica e geográfica proporcionam cenários e belezas singulares e contagiantes.
As opções atendem todos os gostos e idades. Ao visitar aldeias e centros culturais, que retratam a vida dos nativos, é possível conhecer um pouco da história local e das diversas tribos que ainda conseguem manter uma certa unidade, formam grandes grupos e ocupam determinadas áreas espalhadas pelo interior do país. Nessa linha, outro local muito visitado é a Robben Island (www.robben-island.org.za), ilha onde Nelson Mandela ficou preso durante o apartheid e depois saiu para ser eleito presidente. Para quem gosta de sol e mar, quase 3 mil quilômetros de costa, com destaque para as praias de Cidade do Cabo, destino preferido dos turistas.
De acordo com dados oficiais, 7 milhões de pessoas desembarcam na África do Sul por ano. Metade é turista e os outros 50% participam do chamado turismo de negócios. No ano do mundial, a expectativa é que o futebol possa atrair pelo menos mais meio milhão de visitantes, explica Francois Viljoen, guia turístico que acompanhou a reportagem em Cidade do Cabo. Aliás, muito mais que um receptivo, François se mostrou um profundo conhecedor do mundo político, econômico e social do país. Indicado pela operadora de turismo New Line, pode acreditar, ele já foi cônsul no Brasil e morou por mais de quatro anos no Rio de Janeiro.
Atualmente, a maioria dos turistas é europeu, fato que se justifica pela própria colonização – ingleses e holandeses. Em seguida, no ranking de visitação, aparecem os japoneses, chineses e indianos. O Brasil, segundo François, é um mercado antigo, mas que está experimentando um crescimento devido a vários fatores, econômicos e de logística. Entre eles a questão cambial, com a valorização do real frente ao dólar e a proximidade entre os dois países: são aproximadamente 8 horas de vôo, num trecho diário (ida e volta) de São Paulo a Johannesburg. O guia lembra que, pelo menos em Cidade do Cabo, é comum receber turistas de São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Belo Horizonte, Brasília e Recife.
Após o atentado terrorista nos Estados Unidos, em 11 de setembro de 2001, a África do Sul, em especial Cidade do Cabo também tem se destacado como destino para estudar inglês. O país já disputa com Nova Zelândia e Austrália a preferência dos estudantes sul-americanos.