Turismo

Nas piscinas naturais de Maceió

Luciane Horcel
06/05/2010 03:12
A pequena capital alagoana, com 511 km² e 920 mil habitantes, reserva gratas surpresas para quem a visita. A mistura da cidade grande com costumes mais interioranos faz um vai e vem na cabeça do turista, que se confunde entre as modernidades na estrutura da cidade e os costumes do passado. Ao mesmo tempo em que é possível ficar preso em um trânsito caótico na Avenida Fernandes Lima, também é possível passar horas observando as madeiras com rede fincadas na areia (técnica indígena de pesca) da praia de Ponta Verde ou se pegar de boca aberta diante das rendeiras que fazem trabalhos como a renascença, o labirinto e o famoso filé – técnicas artesanais que são mostradas com orgulho por todos os nativos: “Isso aqui é nosso! Nosso artesanato”, gostam de repetir os maceioenses.
E eles têm razão. O melhor do lugar está na beleza das praias, nos costumes, na gastronomia e no artesanato local. “Aqui, fazemos uma comida única, esculturas lindas, temos um artesanato valoroso e nosso folclore é impregnado dessa alma nordestina que vive e sobrevive com garra”, diz animado o governador de Alagoas, Teotonio Vilela Filho.
Como a cidade só tem 194 anos, as construções mais antigas, como o prédio da Assembléia Comercial de Maceió, de 1928, apesar de bonito, não tem tanta notoriedade e nem virou parada dos turistas que passam pela cidade. Mas já há projetos de valorizar mais o lado histórico da capital. Como o povoado que deu origem a Maceió surgiu em um engenho de cana de açúcar, roteiros diferentes estão sendo criados, como visitas a antigos engenhos que acontecem em cidades vizinhas como Marechal Deodoro, Penedo e Piranhas. No roteiro da história do açúcar, o turista pode visitar esses lugares habitados pelos escravos e ver de perto a grandiosidade de uma usina.
Ainda nesse resgate histórico, além das praças tradicionais como Floriano Peixoto, Marechal Deodoro e Dom Pedro II, que não devem surpreender muito os visitantes, é possível visitar o Museu Théo Brandão, principal acervo do folclore do estado. No lugar (entrada a R$ 2), que abriga a coleção de arte popular que o professor e folclorista Théo Brandão doou à Universidade Federal de Alagoas, é possível fazer uma verdadeira viagem ao costumes e cultura dos alagoanos.
Praias e Lagoas
A área nobre de Maceió é a zona norte, onde também estão os melhores hotéis e as praias mais famosas: Jatiúca, Ponta Verde, Pajuçara e Jaraguá. Isso não significa que a região sul – que era considerada área nobre há 80 anos – deva ser deixada de lado. Aliás, no trajeto de uma região a outra, é preciso passar pela ponte de Valdo Soragino, que fica sobre a lagoa Mundaú, uma das mais famosas da região. A falsa lagoa (já que, como desemboca no mar, é uma laguna) tem 600 quilômetros quadrados de superfície e conta com uma grande área de mangue com mais de 10 mil espécies de animais. Não é à toa que representa um dos maiores ecossistemas do estado. É possível navegar pela Mundaú em passeios que duram até quatro horas. As embarcações partem do bairro do Pontal da Barra, onde vivem as mais famosas rendeiras de Maceió.
Outro passeio que vale a pena é ir de catamarã à Praia do Gunga, a 48 km de Maceió, no município de Barra de São Miguel. Por R$ 17, os turistas podem percorrer 2,5 km a bordo e aproveitar um passeio tranquilo com direito a petiscos de sururu e maçunim – mariscos da região. Mas o ritmo calmo da embarcação, que passa por ilhotas e manguezais, é o oposto do clima da badalada praia onde se ancora. Por lá, turistas e mais turistas se aglomeram nos bares e nas cadeiras de praia à beira-mar.
Mas, não é difícil recuperar o sossego. Basta andar alguns metros em direção oposta ao agito. Junto à areia branca, é possível tomar um tranquilo banho de mar e ainda alugar uma espreguiçadeira (R$ 12) para apreciar sem pressa a praia que, emoldurada por coqueiros, une as águas da Lagoa do Roteiro com o mar azul.
Uma do lado da outra
A cada três ou quatro quilômetros, há uma praia diferente em Maceió. Mas não
é só o nome que muda, o temperamento do mar e o cenário é diferente em cada
uma delas. Em comum, águas mornas e os coqueirais:
Praia de Ponta Verde – rodeada por coqueiros e com muitas piscinas naturais
formadas por arrecifes, esta é uma praia de mar calmo e águas transparentes.
Ideal para quem gosta de tomar um banho relaxante.
Praia de Pajuçara – considerada um dos cartões-postais de Maceió, a praia de
Pajuçara tem como principal atração o passeio de jangada até a piscina
natural, que se forma na maré baixa entre arrecifes e bancos de areia, a 2
km da costa da capital.
Praia de Jatiúca – não chega a ser considerada brava, mas — por conta dos
muitos arrecifes — é uma praia mais agitada. Tanto que é bastante procurada
por surfistas e, geralmente nos finais de semana, é palco de campeonatos de
surfe.
Praia da Avenida da Paz – A praia mais urbana de Maceió fica ao lado do
porto, sendo a mais central da cidade. Com águas tranquilas, porém poluídas,
devido à proximidade com o Rio Salgadinho.
Praia do Riacho Doce – Distante cerca de 10 km do centro da cidade, esta
praia possui ondas pequenas, areias macias e claras, além de recifes. Tem
pousadas, casas de veraneio, e comidas típicas.
A jornalista viajou a convite do Maceió Convention & Visitors Bureau, da Gol Linhas Aéreas, da Assimptur.