No ponto em que três placas tectônicas se encontram no Atlântico Norte, os vulcões e a natureza se encarregarram de moldar um dos mais exuberantes recantos insulares do planeta: o arquipélago português dos Açores. Um lugar em que crateras de vulcões adormecidos, e outros até ativos, dão vez a lagoas de águas cristalinas. Túneis que, há milhares de anos, jorravam lava tornaram-se caminhos sem luz a serem percorridos. Um majestoso vulcão que se transformou no ponto mais alto de Portugal.
E, onde a atividade vulcânica ainda persiste, faz com que o solo quente e as águas borbulhantes também estejam no roteiro turístico açoriano. Sentir o calor abaixo dos pés, mergulhar em águas termais e saber que boa parte da energia que abastece as nove ilhas do arquipélago vem de termoelétricas dão a impressão de estarmos sobre uma panela de pressão. Muita calma. A atividade vulcânica de toda a região é controlada por modernos equipamentos e inúmeras equipes de especialistas. A última erupção aconteceu entre 1957 e 1958, na ilha do Faial.
Entretanto, não é só dos atrativos vulcânicos que vive o turismo local. As ilhas dos Açores começaram a ser povoadas pelos portugueses em meados do século 15. Elas faziam parte da rota dos descobrimentos. Em uma delas – Santa Maria –, Cristóvão Colombo chegou a ser preso ao ser confundido como pirata. Por ordem real, no mesmo período, deu-se início à criação de gado em sete das nove ilhas. As vaquinhas não passam despercebidas aos visitantes, elas e as hortênsias fazem parte dos campos verdejantes que tomam conta de morros e planícies. É até capaz que você ganhe uma cantada (ou melhor, um mugido) de alguma delas quando estiver por lá…
No século 18, a presença de baleeiros norte-americanos nos mares açorianos fez com que uma nova atividade econômica tivesse início em algumas ilhas do arquipélago: a caça à baleia. Durante um século, milhares de cachalotes (espécie mais comum na região) foram abatidos por lá. Com a proibição internacional da prática, hoje museus preservam a história das caçadas e a observação de baleias e golfinhos em alto-mar tornou-se uma das principais atrações turísticas das ilhas.
Embora não tenham o apelo turístico existente em torno do badalado arquipélago luso da Madeira, cada ilha dos Açores tem se estruturado para receber seus visitantes da melhor maneira possível. O ponto positivo é que, por enquanto, conseguimos ter um contato mais próximo com a natureza, a cultura e o povo locais. Em 11 dias, visitamos quatro das nove ilhas – São Miguel, Pico, Faial e Graciosa –, sabendo que deixamos para um próximo passeio os encantos das demais – Terceira, São Jorge, Santa Maria, Corvo e Flores. Acompanhe alguns dos lugares que você não pode deixar de conhecer para se render a esse paraíso dos vulcões.
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