Policiais, soldados, cachorros. O Aeroporto Internacional El Dorado, em Bogotá, é intensamente policiado, de diversas maneiras. Na entrada da área de embarque, passei por um corredor onde havia uma longa bancada, na qual viajantes escolhidos ao acaso deveriam abrir sua bagagem de mão e apresentá-la a militares do Exército colombiano. Fui um dos selecionados, e ao fim da vistoria um soldado me esperava de braços abertos, sinalizando que eu deveria estar pronto para uma revista pessoal.
Meu filho mais velho, de nove anos, me esperava logo em seguida, com a mãe e o irmão. Quando finalmente me juntei ao grupo, ele mostrou sua surpresa:
— Eu pensei que ele queria te dar um abraço!
É, a Bogotá pode ser surpreendente para os brasileiros. Passei pouco tempo lá – cinco horas, para ser exato, numa conexão de um voo entre São Paulo e Miami –, mas um giro pela cidade (de táxi, baratinho) já foi bastante revelador. A começar pelo próprio aeroporto El Dorado, onde o governo colombiano demonstra preocupação com sua imagem internacional ao colocar agentes uniformizados e identificados como “Policía Turística” para dar uma mão a quem chega no país.
Bogotá é uma mostra radical de tudo o que há na América espanhola, tão próxima e tão estranha para nós. Tem ambulantes vendendo banana frita (salgada!) nas ruas. Tem táxis caindo aos pedaços. Tem aroma de café em todo lugar, e lojas vendendo lembranças com esmeraldas (a Colômbia é o maior produtor mundial). Tem a segurança, que não deixa o turista esquecer que, apesar de simpático e aprazível, este é um país que tem guerrilha e narcotráfico.
Se você é turista, o melhor é não se preocupar – afinal, a segurança também é sua. E ser revistado, nesse caso, faz parte do passeio.
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