Ao chegar ao aeroporto José Marti, em Havana, você tem a sensação de viajar no tempo. Carros e ônibus são antigos, alguns bem conservados, outros detonados. São modelitos dos anos 50, como o Cadillac, Buick e o Simca Chambord. A cidade apresenta sinais de envelhecimento, mas seu povo simples é cativante e falador. Para evitar imprevistos durante a viagem, é preciso levar em conta informações básicas. Em Cuba, tudo é do governo e todos os trabalhadores são funcionários públicos. Não estranhe quando perceber a deficiência nos serviços, acompanhada, quase sempre, por uma dose tropical de simpatia e lentidão. Se não pretende ficar nervoso, acostume-se a isso.
A melhor maneira de se visitar Cuba é através de pacote e com Havana como base para descobrir as belezas da ilha. Além de realizar bonitos passeios para os cayos, nome das 1.600 ilhotas que formam Cuba, você vai estar perto da população local.
O dólar é moeda corrente. Mas atenção, alguns cubanos tentam devolver notas de peso no meio dos dólares, na proporção de um por um. Devolva gentilmente e mostre que é tão esperto quanto eles. Afinal, você é brasileiro. Fique tranqüilo porque, no momento em que descobrirem sua nacionalidade, vão sorrir muito mais e lembrar que somos irmãos.
Conversar com cubanos é quase sempre uma relação de trabalho. Regra geral é oferecer cigarros brasileiros e iniciar um bate-papo com taxistas. Vários são engenheiros ou professores e conhecem bem política e economia. Garçons e salva-vidas são bem informados e os guias turísticos, geralmente, são professores trilíngües formados em universidades de Cuba ou do Leste Europeu.
De táxi ou a pé, o roteiro pela capital cubana deve incluir Havana Velha, Patrimônio da Humanidade, onde a ilha guarda, na medida em que pode, seu maior tesouro: o conjunto de construções dos séculos 16 a 19. São construções de origem espanhola, como a Catedral de Havana, do século 19.
Caminhar pelas ruelas do centro é para lá de interessante. Descobre-se velhos palácios, fortalezas, igrejas e praças. Na Rua Obispo, está o Museu da Cidade, o mais bonito de Havana, em estilo barroco cubano.
Na Praça da Catedral, próxima dali, acontece de tudo um pouco. Tem danças, feiras de artesanato e muita gente circulando durante o dia. E numa ruela que desemboca na praça, a Empedrado, no número 207, está o mais interessante bar e restaurante de toda a ilha: La Bodeguita del Medio. Era ali que Hemingway tomava daiquiri e mojito, seus drinques prediletos. O local leva esse nome porque, quando foi inaugurado, em 1942, servia de armazém, as tradicionais bodegas, mas, ao contrário de todas as outras instaladas na cidade, que ficavam nas esquinas, foi aberta no meio do quarteirão. É parada obrigatória. Ainda hoje é ponto de encontro de intelectuais cubanos e estrangeiros, personalidades da vida artística e turistas que visitam a ilha de Fidel. A casa é pequena, ficando o destaque para sua comida crioula, que se repete desde a inauguração. A Bodeguita é também um dos poucos lugares de Cuba que servem carne de vaca, artigo de luxo por lá, o que eleva seu preço. Um simples bife não sai por menos de US$ 12. Para almoçar na Bodeguita, só marcando de véspera.
Outro lugar interessante e o La Zaragozana, na Calle Monterrate com Calle Obispo. Os donos garantem não terem alterado o cardápio desde 1830, quando foi aberto. No menu está a sopa de cebola, arroz com frango e pudim.
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