Início de feriado. Sou paulistana – moro em Curitiba desde o começo do ano – e esperava algumas amigas virem de São Paulo para seguirmos até a Ilha do Mel. Mesmo não conhecendo nada por lá, quis me antecipar e fiz reservas em uma pousada na praia das Encantadas. Pelas fotos da internet o lugar parecia ótimo, mas não havia referência a sua distância da praia de Brasília, onde encontram-se os barzinhos e o maior movimento. Enfim, se ficássemos hospedadas nessa pousada, teríamos que percorrer uma trilha de três horas para chegarmos ao “fervo”.
Ao saber disso, decidi cancelar a reserva. A dona da pousada não quis devolver o dinheiro depositado como garantia, e mesmo conhecendo nossos direitos como turistas (que não ficaram sequer um dia na pousada) resolvi não criar caso.
Quando minhas amigas chegaram a Curitiba, embarcamos num ônibus até o Pontal do Paraná, trecho muito cansativo. Além disso, o motorista era descompromissado com o relógio e parava quando lhe viesse à cabeça, em uma hora para conferir o resultado do futebol, noutra para fazer um lanchinho.
Chegando a Pontal, pegamos o barco rumo à praia de Brasília e o cansaço ficou para trás, graças à linda vista durante o percurso. Já na praia, procuramos bastante por uma pousada e finalmente encontramos sorrisos simpáticos, pessoas hospitaleiras, banho quentinho e um delicioso café da manhã, exatamente o que queríamos. Devidamente instaladas, o que fazer? Resposta óbvia: vamos para a praia!
Em dois dias de passeio, andamos muito, a pé e de barco, conhecemos o farol, a gruta e muitas outras belezas naturais da Ilha, e ouvimos enfeitiçadas as lendas e histórias locais. O lugar é lindo! Apesar de bem desenvolvido, da televisão estar em todas as casas e dos celulares funcionarem, ainda mantém um ar inexplorado, rústico, um ambiente propício a uma fuga da vida cotidiana. Afinal, são 35 quilômetros de praia, em sua maioria selvagens e cobertas por reservas de Mata Atlântica.
Se estiver por lá, madrugue. A Ilha do Mel é estranhamente mágica na primeira luz da manhã. A combinação dos primeiros raios de sol com a bruma que se desfaz, os reflexos na água e a movimentação de barcos, lanchas e escunas inspira uma experiência fascinante. Viajar, conhecer novas pessoas, novas culturas (tão próximas, mas tão diferentes), dormir com o barulho das ondas e acordar com o canto dos passarinhos é revigorante!
De repente, a máquina fotográfica parou de funcionar, e entramos em desespero, como se a viagem tivesse terminado ali. Parei e pensei: o que realmente importa? Simples registros, um olhar superficial, ou entender e vivenciar os hábitos e costumes da comunidade nativa? Decidimos relaxar e aproveitar todos os momentos intensamente, afinal, já havíamos tirado algumas fotos. Os outros registros ficaram em nossas memórias.
Voltamos encantadas com as paisagens, com a simpatia dos paranaenses e com as experiências compartilhadas. É interessante perceber como as viagens marcam, como as pessoas se tornam cúmplices em segundos e como a felicidade está nas coisas simples da vida, sem medo de parecer clichê.
Colunistas
Agenda
Animal


