Turismo

O discreto charme da villa

Oscar Röcker Netto - O jornalista viajou a Villa La Angostura e Bariloche a convite da operadora de turismo CVC.
01/06/2006 22:10
Hotéis charmosos, restaurantes bons (e baratos), paisagens nevadas que não cansam nunca a vista e opções de afazeres que incluem esqui, pesca, cavalgada, passeios de barco – ou simplesmente afazer nenhum, imerso na jacuzzi do hotel. Ponha tudo isso numa vila no meio da Cordilheira dos Andes, ao lado de um lago de cartão postal. Parece uma viagem bacana para o inverno? Pode apostar suas fichas que é mesmo. Junte aí também que você roda 80 quilômetros e está no meio de toda a agitação de Bariloche.
A vila em questão é La Angostura, província de Neuquén, Argentina. Até agora, o destino atrai pouquíssimos brasileiros, diferentemente do que ocorre com a vizinha mais famosa, também conhecida como Brasiloche durante as férias de julho. Mas a situação deve mudar. Maior operadora de turismo do Brasil, a CVC pôs a vila no seu pacote de roteiros – o que significa “massificar” um pouco o destino. Se hoje dá para reservar vaga na sexta e entrar no hotel na segunda, a partir do ano que vem o turista vai ter de planejar a viagem um pouco mais cedo. Pelo menos essa é a aposta de Luís Soto, gerente de produtos internacionais da operadora. Para esta temporada 2006, ele acredita que vai levar de 150 a 200 brasileiros por semana para lá. Hoje, os argentinos são 75% dos turistas do local.
La Angostura é uma cidadezinha de 12 mil habitantes, envoltos numa tranqüilidade que lhes permite estacionar o carro ligado enquanto dão uma passada rápida na quitanda. Os angosturenses juram que não se lembram quando foi o último assalto na cidade. Os cachorros de rua são um caso à parte. É corriqueiro cruzar com robustos huskies e labradores perambulando para cima e para baixo – e eles são, efetivamente, os viralatas locais.
Todo esse clima de tranqüilidade é cercado de uma beleza de primeira linha. Para o lado que você olha, vai ver morro nevado ou lago ou floresta repleta de lengas, cohiues, arrayan e cipres (árvores locais). Ou tudo junto, numa festa visual de cansar o dedo na máquina fotográfica.
Além da natureza privilegiada, o principal apelo da cidade são os hotéis/pousadas. São cerca de 140, a maioria deles com poucos (em torno de dez) quartos, num modelo que o jargão do turismo batizou de “pousadas de charme” – acertou quem fez associação com requinte, conforto e qualidade. Os mais-mais ficam à beira ou muito próximos do Lago Nahuel Huapi (o mesmo que “banha” Bariloche), incrustados na floresta. A legislação local faz uma série de exigências, a fim de garantir a preservação ambiental e manter as características “de bosque” das construções. Elas têm de ter 60% da fachada construída de madeira e vidro, as edificações não podem ter mais de nove metros de altura e só podem ocupar 15% do terreno, além de manter 200 m2 de área verde por vaga de hóspede. “É uma cidade-jardim”, orgulha-se Jose Boer, presidente da associação de hotéis e restaurantes de La Angostura.
O destino deve atrair o turista um pouco mais experiente – aqueles cujas referências vão além das cidades mais badaladas pela indústria do turismo. Hoje, os brasileiros que se hospedam em La Angostura são mais ligados ao esqui ou então buscam tranqüilidade perto do agito. Isso não quer dizer que quem nunca foi a Bariloche vai errar se optar por La Angostura. Até vai poder encher a boca na roda de boteco: “Bariloche é legal, mas eu conheci uma vilazinha que fica ali perto…”.