Turismo

Paraíso caribenho

Cláudio Slaviero é empresário e lançou recentemente o livro A Viagem em Mim.
01/02/2007 20:46
Parece que se está mergulhando dentro de um aquário de águas límpidas ou flutuando no espaço. Há um silêncio absoluto, ouve-se apenas sua própria respiração. Reina a paz, imensa, em meio a um universo a ser explorado. Vivi essa magia nas águas que rodeiam a ilha Bonaire, no Caribe, em formato de bumerangue, com 200 quilômetros quadrados de extensão e 12 mil habitantes, considerada o paraíso dos mergulhadores.
Deixara em Curitiba minhas botas e equipamentos de montanha. Em minha bagagem, nadadeiras, roupa de neoprene e cilindros de ar, para me aventurar e explorar o mundo submarino. Em um grupo de 20 amigos, fomos ao nosso destino paradisíaco.
Com o mar de cor azul-turquesa e a temperatura a 29 graus, o local é ideal para aqueles que adoram mergulhar. É um mundo novo. Em Bonaire, a visibilidade embaixo da água chega aos 50 metros. A variedade da fauna e, principalmente, da flora submarinas, com seus corais coloridos, é mágica, rica e impressionante.
A ilha foi declarada parque internacional de proteção e preservação marinha em 1979. As regras quanto à manutenção e preservação do meio ambiente, especialmente às relacionadas ao mergulho, são rígidas. De-pois de uma avaliação dos mergulhadores para saber se estão aptos a mergulhar, orientadores enfatizam várias regras para a preservação dos corais e peixes. É proibido, por exemplo, usar facas ou luvas durante os mergulhos e retirar ou danificar qualquer coisa do fundo do mar. Nem é preciso falar que é terminantemente proibida a pesca submarina.
Há em Bonaire algumas dezenas de pontos de mergulho. Pode-se optar por mergulhos embarcados ou pela praia. Escolhemos a segunda opção. Alugamos camionetas 4X4 e a cada dia íamos a pontos diferentes de mergulho. Como a faixa de areia é quase inexistente nas praias, chegávamos com a camioneta até à beira-mar. Os mergulhos tinham duração média de 45 minutos. Fazíamos até cinco mergulhos diários, tanto de dia quanto à noite, quando agüentávamos.
Mergulhávamos a uma profundidade média de 20 metros. Ao explorar um naufrágio no ponto de Hilma Hooker, chegamos a 30 metros. Em outro local, Karpata, vivemos a experiência de mergulhar até quase 50 metros para testar nossa reação à alta pressão.
A experiência nas águas que banham a ilha foi mágica. E fora das águas, idem. “Tene Boneiru limpi”, ou “Mantenha Bonaire limpa”, é o lema por toda a ilha, que tem como capital Kralendijk, uma pequena e charmosa cidade, com hotéis, lojas, bares e restaurantes. Ao final de cada dia, o happy hour estende-se de ponta a ponta da ilha, bebericando uma margarita e apreciando o maravilhoso pôr-do-sol ao som da música caribenha.
A ilha sustenta-se com o turismo – a maioria dos visitantes é holandesa – e com a extração de sal. A água, destilada do oceano, é ótima para se beber. Além do papiamento, fala-se também o holandês, inglês e espanhol. Os moradores locais, nem sempre amistosos, convivem com muitos jovens holandeses, que estão lá para trabalhar temporariamente e curtir um pouco do sol do Caribe. Loiras e de olhos azuis, as holandesas contrastam com os nativos, de pele mais escura. Além das dezenas de pontos de mergulho, Bonaire é parada obrigatória de cruzeiros marítimos.
Tivemos apenas um episódio desagradável em nossa estada. Durante uma madrugada, alguns amigos foram surpreendidos por ladrões dentro do quarto do hotel. Fora o susto e o estresse com a gerência do hotel para que arcasse com os prejuízos, o resto foi um verdadeiro paraíso: muito sol, mar, mergulhos e margaritas.