Turismo

Parque temático flutuante

Roberto Couto
13/01/2011 02:04
Mas esse conceito começou a cair por terra (ou seria, afundar?) quando meu táxi começou a se apro­­ximar do Porto de Fort Lau­­derdale (EUA), em novembro passado. Lá estava, à minha frente, aquele impressionante gigante metálico que motivou minha ida à Florida. Seu nome: Allure of the Seas, o maior navio de passageiros do mundo e que começou a singrar os mares no fim do ano passado – ele divide o título com o irmão gêmeo Oasis of the Seas.
Com 20 andares, 16 deques de circulação, 225,2 mil toneladas e capacidade para 5,4 mil passageiros, o novíssimo meganavio da Royal Caribbean é muito mais do que uma interminável lista de números. Na verdade, ele deve ser encarado como um parque temático flutuante, onde é possível se divertir, durante sete dias (o período dos roteiros pelo Ca­­ribe), literalmente sem por os pés em terra firme.
Mas antes de descobrir todos os atrativos do Allure, era hora de me acomodar. Logo após fazer o rápido e descomplicado check-in, ainda no terminal de embarque, lá fui eu em busca da minha acomodação (ao todo são 2.706 cabines). De posse do cartão magnético, que serviria como chave e para pagar despesas ex­­tras, atravessei a passarela que dá acesso ao navio e segui para a minha cabine, a 325 (deque 9). Lá, boas surpresas: além da cama de casal e uma ampla varanda, muitos itens de conforto, como tevê de LCD, teclado para acesso a internet (pago), mesinha de trabalho e um sofá – tudo sem aper­­to (inclusive, o bem equipado banheiro). As cabines comuns (com ou sem sacada) têm entre 14 e 17 metros quadrados. Quem quiser mais espaço pode optar por configurações bem maiores, inclusive as exclusivas suítes de dois andares. A Royal Loft Suíte, por exemplo, tem 141 metros qua­­drados e conta com piano, sala de jantar e jacuzzi privativa.
Da popa à proa
Devidamente instalado, era hora de iniciar minha incursão pelos meandros do Allure. Como mi­­nha cabine ficava na popa, não resisti em, inicialmente, percorrer todos os 360 metros de comprimento do gigantesco transatlântico que me levariam à proa. Foram exatos 15 minutos (reconheço que perdi algum tempo, lendo as indicações e o mapa que ganhamos na hora do check-in) até chegar à outra ponta. Depois, comecei a explorar os deques de cima para baixo e aí, sim, entender porque o navio é realmente um parque temático.
Lá no alto, mais precisamente no deque 15, estão reunidas al­­gumas das principais atrações da embarcação. Percorrendo todo aquele nível, a partir da proa, é possível relaxar no Solarium, uma espécie de lounge com es­­preguiçadeiras e quatro hidros (duas delas suspensas, com vista para o mar); curtir as quatro piscinas (adulto e infantil, também com um mar de espreguiçadeiras); e se divertir, já na popa, na quadra esportiva, no campo de minigolfe, na tirolesa e no Flowri­­der, um divertido simulador de surfe, em que a pessoa tenta equilibrar-se em cima de uma pranchinha.
Alguns deques abaixo, outro espaço feito para encantar os passageiros, o AquaTheatre, localizado numa área na popa denominada Boardwalk. Com uma piscina de 9 metros de profundidade, o anfiteatro recebe espetáculos aquáticos (Let You Entertain Me e OceanAria), que misturam acrobacias e saltos mortais. É também nesta parte do navio que estão as duas paredes de escalada, que contam com monitores para auxiliar crianças e adultos; e um belo carrossel.
Descendo mais um pouco, mais precisamente ao deque 5, era hora de conhecer o Amber Theater, o principal teatro do navio. Com capacidade para 2.160 hóspedes, o espaço tem em cartaz dois espetáculos, o musical Chicago e o show Blue Planet, que impressionam pela qualidade e disposição do elenco, que é o mesmo para as duas produções. O navio conta ain­­da com outros programas para curtir a noite, como apresentações de comédia stand-up, shows de patinação no gelo e uma série de boates com festas temáticas e boa música.
Também não faltam lojas, bares e cafés (inclusive, o primeiro Starbucks em alto-mar), muitos reunidos no Royal Promenade, uma “rua” que acaba servindo como coração do navio (todo mundo passa por lá) e onde são realizadas as paradas diárias com personagens do estúdio DreamWorks, como Shrek, os pinguins de Mada­gascar e o Kung Fu Panda. Entre os bares, o mais inusitado é, sem dú­­vida, o Rising Tide, um bar-elevador (que lembra uma nave espacial), que vai do Royal Promenade até o Central Park, outro impressionante espaço, pois é um verdadeiro parque em alto-mar, com 12 mil plantas (inclusive, árvores) e cheio de restaurantes. É o local ideal para relaxar, to­­mar um café e ler um livro. Nessa mesma área também está a primeira loja do artista plástico Romero Britto em um navio.
All-inclusive
Assim como no quesito diversão, monotonia passa longe do Allure quando o assunto é opções gastronômicas, que vão de cachorro- quen­­te a sofisticados pratos internacionais. Café da manhã, almoço e lanchinhos estão incluídos em diversos restaurantes, cafés e quiosques. E os cardápios são muito fartos. Já o jantar está incluso no restaurante principal (o Adagio), no bufê Windjam­mer Marketplace (ideal para refeições a qualquer hora do dia) e na Sorrento’s Pizze­ria.
Em outros restaurantes, é preciso reservar e pagar à parte para jantar. Mas os preços não são salgados. O menu degustação do classudo 150 Central Park custa US$ 35 por pessoa. No Samba Grill, com pretensões a ser uma churrascaria brasileira, o jantar sai por US$ 25 por passageiro; e, na tratoria Gio­vanni’s Table, US$ 15 por pessoa. Já na disputada lanchonete John­ny Rocktes, paga-se US$ 3,50 para saborear à vontade generosas porções de anéis de cebola crocantes e muitos milk-shakes. Vale lembrar que bebidas alcoólicas são cobradas à parte em todo o navio.
Talvez o leitor se pergunte por que esse jornalista ainda não co­­meçou a descrever como é o roteiro do Allure of the Seas pelo Ca­­ribe. Infelizmente, não será nessa reportagem. Nossa viagem foi, na realidade, uma pré-estreia do navio. Foram exatos quatro dias a bordo, circulando pela costa de Miami, tendo apenas o mar como coadjuvante. Taí um bom pretexto – seja para este jornalista ou para o leitor – planejar uma próxima viagem no gigante dos mares.
Serviço:
Allure of the Seas. Tem roteiros de sete noites pelo Caribe. Desde R$ 1.749 por pessoa em cabine interna dupla (embarque em fevereiro). A Royal Loft Suite custa R$ 19.020 por pessoa. Mais informações e reservas: através das agências de viagem ou no site www.royalcaribbean.com.br.
O jornalista viajou a convite da Royal Caribbean.