Turismo

Patagônia sobre duas rodas

Vinícius Dias, com informações de Priscila Forone.
09/08/2007 22:59


Lagos, montanhas e céu azul compõem o espetacular cenário do Parque Nacional Nahuel Huapi.
Patagônia. Esse nome está no imaginário de muitos viajantes, que sonham em conhecer o “fim do mundo”, no extremo sul do continente americano – parte na Argentina, parte no Chile. Não é tão difícil transformar o sonho em realidade, já que há muitos pacotes turísticos que levam até lá. Mas há quem prefira adicionar uma pitada de aventura à viagem. Foi o caso das amigas Maria Cristina Hartmann, também conhecida por Chica, e Priscila Forone, repórter-fotográfica da Gazeta do Povo. As duas resolveram percorrer a Patagônia de bicicleta: foram de avião até Buenos Aires, de ônibus até Bariloche e, de lá, pedalaram mais de 700 quilômetros entre Argentina e Chile. “Queríamos estar em contato direto com o povo local”, explica Priscila.
O mês escolhido por elas para a viagem, março, é o ideal para quem viaja à região, segundo as cicloturistas. É verão, ou seja, não está tão frio por lá, não há tanta gente quanto entre dezembro e fevereiro, e o período de chuvas ainda não começou – normalmente de maio a agosto.
A viagem sobre duas rodas começou na estação de esqui mais popular entre os brasileiros: Bariloche, na Argentina. Poucos quilômetros adiante, inicia-se o Parque Nacional Nahuel Huapi. O parque é a primeira área protegida do país, criada em 1934, e tem 705 mil hectares de área. Entre a belíssima paisagem das estepes patagônicas do parque, destaca-se o cerro Tronador, com 3.554 metros, cujo cume simboliza o limite entre os territórios do Chile e da Argentina. “Enfrentamos muito vento e fizemos bastante esforço no primeiro dia de viagem, adaptando-nos às bicicletas, que pesavam aproximadamente 45 quilos cada uma”, contam as viajantes.
Cruzando as estepes, em direção à Villa La Angostura (outra estação de esqui), não demorou muito para que chegassem à espetacular região dos Lagos. “Ao contrário dos ônibus de turismo que cortam com pressa o lugar, as bicicletas permitiam o contato próximo com a natureza. Parávamos para almoçar nas praias de pedras e troncos e até nos arriscávamos a um banho rápido nas águas geladas dos lagos”, conta Chica.


Roteiro da aventura
No fim das tardes, as aventureiras começavam a montar sua barraca para passar a noite, mas geralmente eram acolhidas pelos moradores locais. Foi o que ocorreu quando passavam por San Martín de los Andes, quase 250 quilômetros depois do início da viagem. Elas pediram autorização para acampar em uma fazenda, em território dos descendentes dos índios mapuches, mas foram convidadas para dormir dentro da casa da família, com direito a muito bate-papo regado a mate com açúcar. “De lá, cruzamos a fronteira com o Chile pelo Passo Huahum, na cordilheira”, relata Priscila. Estavam a caminho dos vulcões chilenos.