Turismo

Pelas estradas e matas

Vinícius Dias
09/11/2006 21:40
Neste exato momento, a paranaense Miyuki Okabe e seu marido, o espanhol Eneko Etxebarrieta, estão em Salvador (BA), pedalando uma bicicleta tandem (para duas pessoas). E subindo pelo território brasileiro. O objetivo é pedalar por dez anos pelos cinco continentes – mais a Antártida e o Círculo Polar Ártico. O percurso total é de 120 mil quilômetros. A aventura completa hoje 636 dias e 9.470 quilômetros já foram rodados desde o início. Entre as pedaladas, o casal divulga projetos da Organização das Nações Unidas (ONU) e escreve suas experiências no site www.acercandoelmundo.com.
É claro que são pouquíssimas as pessoas que têm disposição para viajar dez anos em cima de uma “magrela”, mas o turismo que utiliza a bicicleta como meio de locomoção – o chamado cicloturismo – vem crescendo muito nos últimos tempos, assim como o número de empresas que atua no segmento. “Tenho cadastrados mais de 3 mil cicloturistas”, diz Alessandro Schwonka, da Terral Expedições, de Curitiba. E não é preciso ir muito longe para encontrar bons points para a prática da atividade. “Temos dez opções de roteiros e as dividimos de acordo com o níveis de dificuldade do trajeto e de condução da bike”, conta Alessandro. Para o ano que vem, a empresa pretende lançar mais quatro roteiros de cicloturismo, todos a cerca de 150 quilômetros de Curitiba.
Em Morretes, onde atua a Calango Expedições, Tiago Choinski, diretor comercial da empresa, conta que o passeio de bicicleta vem sendo muito procurado. “Aqui a gente une as belezas naturais do litoral à história e cultura. Passamos de bike por rios, ponte pênsil e até um alambique, o primeiro do Brasil a produzir cachaça de banana”, descreve Tiago.
Um dos pioneiros do cicloturismo nacional, o ex-ciclista profissional José Américo Vieira guia passeios a cada 15 dias – ele é proprietário da Bike Tour Club, de Curitiba. “Viajamos de bicicleta por destinos do Paraná, Santa Catarina e São Paulo. No Paraná, eu gosto muito de pedalar em Castro”, conta. Nessas viagens, pedala-se de 40 a 70 quilômetros por dia. Apesar do número parecer absurdo para os mais sedentários, ele garante que não é preciso ter preparo físico de atleta. “Vamos devagar. Além do mais, há um carro de apoio que leva quem estiver cansado”, fala José Américo. Por sinal, o carro de apoio, que resgata os cicloturistas exaustos, é item indispensável a ser observado pelos iniciantes.
Serviço: Terral Expedições – (41) 3352-1219; www.terral.tur.br. Bike Tour Club – (41) 3352-2566; www.biketourclub.com.br. Calango Expedições – (41) 3462-2600; www.calangoexpedicoes.com.br. BWT Operadora – fone (41) 3323-4007; www.bwtoperadora.com.br.