O Theatro São João, ponto mais famoso da Lapa, foi inaugurado em 1876 como uma biblioteca.
Visitar a Lapa é um bom programa para o fim de semana do curitibano: perto, barato e interessante. É perto, pois está a apenas uma hora de Curitiba – 70 quilômetros, pela BR-476. É barato chegar até lá de carro, apesar do pedágio no caminho (que custa R$ 6,60), ou de ônibus – pela Expresso Maringá a passagem entre a capital e a Lapa custa R$ 13,46. E é interessante porque a cidade tem uma variedade de opções turísticas para o visitante – sobretudo o turismo histórico.
A Lapa começou com os tropeiros e é justamente a memória desses pioneiros que abre a viagem ao lugar. Logo na entrada da cidade, um painel em azulejos de Poty Lazzaroto representa a chegada dos tropeiros, que passavam por lá no século 18 levando tropas de animais entre Viamão (RS) e Sorocaba (SP) – muitos se fixaram, dando origem ao que hoje é a Lapa. Essa memória tropeira pode ser sentida por toda a cidade, em especial em dois momentos: durante o almoço, ao se comer um tradicional Virado Tropeiro, e quando se visita o Museu do Tropeiro, que funciona na Casa Vermelha, residência mais antiga do lugar, datada de 1868.
Mas esse é só o começo da história (e da visita à Lapa). A cidade também é marcada por seu passado de resistência, evidenciado pelo episódio conhecido como Cerco da Lapa, ocorrido durante a Revolução Federalista, no século 19. Praticamente todo o Centro Histórico lapiano lembra o evento. Os logradouros levam os nomes dos resistentes, como a Praça General Carneiro, o coração da cidade, e a Rua Amintas de Barros, onde fica o Theatro São João, o ponto mais famoso da Lapa. Inaugurado em 1876 como uma biblioteca, o lugar foi convertido em enfermaria durante o Cerco da Lapa. O teatro tem 210 lugares e recebe apresentações com freqüência.
Dá para conhecer tudo a pé. Perto do teatro, o turista encontra o Museu Histórico da Lapa, instalado na casa onde faleceu, durante o Cerco da Lapa (em 1884), o General Carneiro – uma das principais figuras da resistência. Seguindo pela Rua Amintas de Barros e virando na Westphalen, há a Casa da Memória, que guarda documentos das origens do município, como a carta de sesmaria da região, assinada em 1768 por dom José I, rei de Portugal.
Um pouco adiante, fica o Panteon dos Heroes, que abriga os restos mortais dos heróis do Cerco da Lapa. Logo em frente, a Casa Lacerda, onde nasceu e morreu o coronel Joaquim de Lacerda, um dos comandantes da resistência, e onde foi assinada a rendição dos lapianos. Talvez, por aqui, você também se renda à história da Lapa.