Turismo

Roteiro fora do tradicional

Adriano Justino
10/08/2006 22:26
A frase pronta da guia da região de Nobres, a 151 quilômetros de Cuiabá, é o anúncio do lugar: é mais que bonito, é lindo! A semelhança com o município de Bonito, no estado vizinho do Mato Grosso do Sul é evidente.
Dois jovens guias, filhos de agricultores sem-terra, ensinam a usar os equipamentos para a flutuação no Aquário Encantado. À primeira vista, a transparência da água proporciona uma imagem dos peixes que parecem estar no ar. Dez minutos são suficientes para se acostumar com o colete, a máscara e o respirador. Aí sim, a paisagem dos mais de 15 metros de profundidade da água azul revela peixes de muitas cores, dos mais variados tipos e tamanhos. A luz do sol refletida nas pedras completa o paraíso aquático.
A emoção não pára por aí: uma trilha com andaimes de madeira no meio da floresta de transição entre o Serrado e a Amazônia leva até a margem do rio com as mesmas características da lagoa. A correnteza conduz o turista por 500 metros rio abaixo, na companhia dos peixes, onde é possível ver todo o leito de águas cristalinas, uma sensação de estar voando sobre as águas. No final do passeio, uma deliciosa comida caseira é servida em um galpão rústico. O local ainda está sendo preparado para o turismo e não conta com grande movimento, proporcionando um passeio mais exclusivo e tranqüilo.
No meio da Floresta Amazônica, no município de Feliz Natal, onde se localiza o Parque Indígena do Xingu, só pesquisadores e estudantes têm autorização da Funai para entrar. Ao lado, uma propriedade particular, idealizada por um paranaense de Londrina, João Vicentini, está levando turistas para o coração da floresta e de seus moradores. Uma parceria com várias etnias da região possibilitou a criação da aldeia Puwixa Poho, que quer dizer “rio dos matrinxãs”. A cada três meses um grupo de índios de uma etnia viaja nove horas de barco e se instala na Puwixa Poho. “Assim foi possível desenvolver o turismo na região”, afirma Vicentini, que doou a área para o projeto. A aldeia fica na margem do Parque e permite ao turista passar o dia em contato com índios nativos. A sensação é de um descobrimento quase antropológico. O cenário é de filme de época. Já na recepção, o olhar da tribo para os turistas desvenda a vida na região. As pinturas vermelhas com adereços pelo corpo e os pés no chão mostram a vida em uma aldeia indígena do alto Xingu. É possível conhecer o interior das ocas, ver índias preparando biju, acompanhar uma dança típica e aprender a usar arco e flecha. O artesanato à venda é de ótima qualidade e os preços convidativos. O contato com a cultura indígena e a conversa com os muitos moradores que falam português são os pontos altos da visita. (RB)