Turismo

Safári aventureiro na Zona da Mata

Luciane Horcel
15/09/2011 03:06
Ipojuca, (PE) – Não se engane: ao informarem ao turista que no Jeep Safári vai todo mundo em cima do carro, não pense em bancos instalados no piso superior de um ônibus. Em cima, no caso, é no teto mesmo, agarrando-se às grades cargueiras. A ideia é que o balançar das trilhas fique mais emocionante e o contato com a natureza, muito mais intenso. Objetivos atingidos com total sucesso.
O passeio tem como destino final a cidade de Primavera, a 73 km de Porto de Galinhas, em Pernambuco. É lá onde a aventura realmente começa. No grupo aventureiro, além do Seu Valter, o guia animado que não quer saber de gente medrosa que resiste a subir no topo do jipe, está o motorista Fabiano que, mesmo bastante calado, é o responsável pelo sacolejar frenético do carro, o que deixa todo mundo eufórico. Os passageiros são três casais em lua de mel. Dispostos a fugir um pouco do circuito de piscinas naturais e jangadas, os jovens casais enamorados subiram, sem medo, as escadas do 4X4.
Quase todos. A contadora Gisele Santos Damasceno, 28 anos, teve que ficar um pouco mais longe do marido Antonio Damasceno Filho, 31 anos. Isso porque enquanto o empresário escalava o jipe na maior empolgação, Gisele achou mais seguro ir na cabine, sentada confortavelmente na poltrona. “A gente quer aproveitar um pouco de tudo. Já conhecemos as piscinas naturais e praias. E o jipe é um passeio diferente. Mas isso é escolha dele, que é mais aventureiro que eu”, conta a paulista.
A situação foi exatamente inversa com o gerente de projetos, Ricardo Albano, 38 anos, e Priscila Albano, 30 anos. Mesmo embaixo do maior temporal, a garota deu adeusinho ao esposo, que preferiu acomodar-se dentro do veículo. “Eu adoro essas atividades de adrenalina, aventura, e arrastei ele para esse passeio”, diz a jovem.
Juntos em cima ou embaixo, na chuva ou no sol, só mesmo os gaúchos Rafael dos Santos Teixeira, 27 anos, e Cintia Juliane da Silva, 25 anos. Abraçadinhos, os dois se divertiam baixo da chuva forte ou do sol escaldante – por lá, o clima muda o tempo todo.
Os que preferiram não arriscar na aventura zombavam dos que, lá em cima, balançavam sem parar e ficavam cada vez mais imundos com a lama que espirra para todos os lados. Já o pessoal do andar de cima tirava sarro dos pouco corajosos ou da gritaria em uma manobra mais radical. Entre uma gargalhada e outra, um grito de “Olha o galho!” – que virou o jargão entre os aventureiros –, era um alerta importante em trilhas estreitas e com muitas árvores no caminho.
Até chegar à cidade de Pri­­ma­­vera, a aventura passa por pe­­quenos municípios como Nossa Senhora do Ó, Ipojuca e Escada. Nessa rota, é possível ver os vastos campos com plantação de cana de açúcar (o estado possui 1 milhão de hectares) e até velhos engenhos, que compõem o chamado quadrilátero no Brasil colonial, que também era formado pela casa grande, a senzala e a capela.
As ilhas de Mata Atlântica, preservadas para que a região não seja tomada pelos pendões da cana, também fazem vista. Além da adrenalina gratuita do passeio, a paisagem vale a pena. Só não deixe de passar repelente, senão a aventura pode virar um incômodo.
Passo a passo
A aventura a bordo do jipe em Porto de Galinhas dá a chance de o turista conhecer mais as belezas naturais da região, com direito a banhos de cachoeira e boa comida
Serviço:
Jeep Safári. A partir de R$ 165 por pessoa com almoço e bebida, com saída às 8h30 e retorno às 17 horas. Com a Luck Receptivo, (81) 3552-1960. É possível contratar o serviço nos principais hotéis de Recife. No Nannai Beach Resort, há um quiosque da Luck e eles cuidam de todo o passeio para o hóspede.
A jornalista viajou a convite do Nannai Beach Resort