Turismo

Se está no mundo, está na feira

José Marcos Lopes
13/04/2007 00:05


É impossível resistir às cores e quantidades de suvenires à venda na Feira de Caruaru – de santinhos de barro, por R$ 1, a cabeças de boi (foto), por R$ 170.
É com essa frase do título que Seu José Severino Cristóvão, 70 anos, escritor de cordéis, mal-humorado e carrancudo, define a Feira de Caruaru, habitat que freqüenta há mais de meio século. Não é exagero. Nesta feira famosa em todo o Brasil, é possível encontrar de tudo – ou quase tudo: roupas, chinelos, chapéus de cangaceiro, santos de barro, bonecos de Lampião, CDs e DVDs piratas, carne de bode, frutas, verduras, livros, bijuterias, caça-níqueis, literatura de cordel, de temas dos mais variados possíveis, e até produtos eletrônicos.
Quem faz a Rota Luiz Gonzaga, é obrigado a parar neste espaço popular, que se confunde com a história de mais de 150 anos de Caruaru, uma das principais cidades de passagem dos Nordeste brasileiro. O ideal é chegar cedo, por volta das 8 horas, quando as bandas de forró começam a se esquentar na praça central. É lá, na praça central, que o turista pode saborear os mais tradicionais pratos da culinária nordestina, com uma boa água-de-coco ou um tradicional suco de cajá para espantar o calor.
A Feira de Caruaru, na verdade, não é apenas uma. É dividida em várias. Na feira livre, que é diária, são vendidas frutas, verduras, carnes e flores. Na Sulanca, realizada todas as terças-feiras, está um dos maiores espaços de venda de confecções do Nordeste: rendas, camisetas, toalhas, calças e por aí vai. A feira de artesanato está todos os dias na rua, mas não fica nisso. Tem também a “Feira do Troca-troca”, nos sábados, e a “Feira do Paraguai” – cujo nome dispensa maiores apresentações.
Ao visitante de primeira viagem, a variedade assusta. Afinal, há pelo menos 50 mil barracas, todos os dias, em um espaço de 218 mil metros quadrados, que chega a receber 70 ônibus e cerca de 100 mil visitantes nos dias mais movimentados. Nas ruelas estreitas, além de sandálias e chapéus, é possível esbarrar em alguma dupla de repentistas que se desafiam sem perder o tom.
Os preços são acessíveis. Seu José Severino vende um de seus cordéis “científicos” por R$ 2, ou três por R$ 5, com títulos como A vida de Lampião e O mundo foi feito assim. Um santo de barro (Padre Cícero, Nossa Senhora, São José) não custa mais de R$ 1. Sandálias, chapéus, bolsas e outros artefatos de couro que compõem a indumentária dos sertanejos custam entre R$ 10 e R$ 20, mesma faixa de preço de camisetas, calças e toalhas.
Mas há produtos mais caros. Entre eles está a “cabeça-de-boi”, como define com simplicidade o comerciante Severino Francisco Justino, 44 anos, 18 de feira. E é isso mesmo: uma cabeça de boi que funciona como um reservatório para 2,5 litros – “de cachaça”, diz Severino. “Isso aí quem compra é só turista”, alerta o comerciante, que vai logo avisando o preço: R$ 170.
Outra atração que faz sucesso são os jogos de xadrez entalhados em madeira. Peões, bispos e cavalos são feitos com temas nordestinos. Os preços podem variar de R$ 15 a R$ 150, dependendo do tamanho e do entalhe.
A feira é a maior atração de Caruaru, mas não é a única. Na cidade, também merecem ser visitados o Museu do Forró Luiz Gonzaga, o Museu do Barro, o Museu do Cordel Olegário Fernandes e o Museu da Fábrica de Caroá (cujo acervo conta a história da indústria local). Para atender aos turistas, a cidade conta com 18 hotéis e pelo menos 30 restaurantes de pratos regionais, pizzarias, churrascarias e lanchonetes.