Não é exagero afirmar que Bariloche é como a fênix, pássaro da mitologia grega que, quando morria, renascia das próprias cinzas. Uma volta pela Calle Mitre, rua que concentra o comércio da cidade, é o que basta para provar que o destino de inverno mais famoso da América do Sul se recuperou e está preparado para receber os brasileiros, público que lota os hotéis da cidade nos meses de julho e agosto.
Localizada na base da Cordilheira dos Andes, a poucos quilômetros da fronteira com o Chile, Bariloche, na patagônia argentina, foi uma das cidades mais atingidas com as cinzas do vulcão chileno Puyehue, que entrou em erupção em abril do ano passado. Com o aeroporto fechado e as ruas cobertas com 15 centímetros de cinzas, o resultado não poderia ser mais desastroso: a pior temporada dos últimos anos.
Mas a situação mudou. Quando os primeiros flocos de neve caírem – entre o fim de maio e início de junho – quem for a Bariloche nesta temporada vai encontrar uma cidade limpa. Sem riscos de perder o voo, ou ficar preso no quarto do hotel, o turista poderá descer tranquilamente o Cerro Catedral, a maior estação de esqui da Argentina, com mais de 103 quilômetros de pistas.
De acordo com Sebastián Caldart, diretor da Ente Turismo Patagônia e presidente da Neuquentur, após um ano de crise, a cidade voltará a se chamar “Brasiloche”, apelido que o lugar ganha no inverno. “O número de voos charters e reservas dá sinais de uma temporada recorde”, afirma.
Um pouco de planejamentoajuda o turista a economizar. Os preços aumentam na mesma intensidade do frio. Na alta estação, tudo fica até 30% mais caro. Reservas antecipadas dão a chance de escolha de lugares e voos e melhores condições de pagamento. Para visitar a região e garantir preços mais em conta, a viagem pode ser feita antes de o inverno chegar.
Ano todo
Embora seja famosa por causa da neve, Bariloche é um destino para o ano inteiro. As camadas de gelo, que derretem no fim da primavera, escondem cores intensas e belezas que só podem ser vistas no verão e no outono. Vale a pena prestar atenção ao calendário: a neve em Bariloche dura até, no máximo, o início de outubro.
Para as estações mais quentes, um tour recomendado é o do Cerro Tronador, um vulcão inativo que fica dentro do Parque Nacional Nahuel Huapi, a 90 quilômetros de Bariloche. Feito de carro ou de van, o passeio até a base, a mais de mil metros acima do nível do mar, leva o dia inteiro. Como o caminho de chão batido é estreito e sinuoso, os veículos só podem seguir no sentido vulcão até o meio-dia. A volta só acontece depois das 16 horas. O passeio, oferecido nos hotéis, custa R$ 75 por pessoa, em média.
Maior montanha da região, com 3.478 metros, o Cerro Tronador, localizado na fronteira com o Chile, é o único com gelo o ano inteiro. Na base está o Ventisquero Negro, um conjunto de geleiras pretas; resultado da mistura do gelo com sedimentos de rochas vulcânicas.
Outras duas opções de passeio são o Cerro Otto e o Cerro Campanário. No primeiro, que durante o inverno funciona como uma estação de esqui, está localizado um restaurante giratório. No segundo, para onde é necessário subir com um teleférico (R$ 25 por pessoa), é possível contemplar a vista mais bonita e privilegiada da cidade.
Bariloche é famosa na Argentina por ser o destino dos estudantes que estão se formando no segundo grau ou na universidade. Esta grande quantidade de jovens – que se soma aos estrangeiros que visitam a cidade – garante programação noturna o ano inteiro. São baladas, casas de show, bares e pubs, para todos os gostos, de Michel Teló e sertanejo universitário, até música eletrônica e rock inglês.
A cidade também está repleta de restaurantes que servem carneiro, bife de chorizo, empanadas e vinhos. Os jogadores têm à disposição o Cassino Panamericano. São três andares com todos os tipos de jogos: roleta, Black Jack, pôquer e caça níquel. A entrada é permitida aos maiores de 18 anos. O Panamericano também mantém bares e um restaurante com palco para apresentações musicais.
O centro de Bariloche também deve ser visitado, seja qual for a estação climática. No Centro Cívico está o prédio histórico da prefeitura, a Secretaria de Turismo e o Museu da Patagônia, cuja coleção abriga desde fósseis até objetos da colonização espanhola. Construída em 1946, a Catedral de Bariloche é outra atração da região central. Projetada pelo arquiteto Alejandro Bustillo, foi feita em homenagem a Nossa Senhora do Nahuel Huapi.
Rota dos Sete Lagos é opção antes do inverno
Ir a Bariloche durante as estações mais quentes, ou melhor, mais amenas – no verão, a temperatura gira em torno de 25 °C, no inverno, de – 4°C até -10°C – também inclui outra atração no roteiro: a possibilidade de fazer a Rota dos Sete Lagos, que liga Bariloche e San Martín de Los Andes, passando por Villa La Angostura. Embora o passeio possa ser feito no inverno, os 110 quilômetros de rodovia estreita e trechos de chão batido podem ser fechados de acordo com a quantidade neve.
A Rota do Sete Lagos pode ser feita em duas horas de carro ou van, mas a quantidade de paisagens obriga que o motorista faça diversas paradas ao longo da Ruta 234, principalmente para fotografar os lagos que dão nome a rodovia: Nahuel Huapi, Espejo, Correntoso, Escondido, Villarino, Falkner, Machónico e Lacar. Em Bariloche ou San Martin de Los Andes, várias empresas oferecem o tour, que custa, em média, R$ 100 por pessoa.
Diversos azuis
Todos os lagos, com exceção do Escondido, têm mirantes e são identificados. Embora possam parecer semelhantes, têm características muito distintas. A principal delas é a coloração. Enquanto alguns são azuis, outros apresentam a superfície esverdeada ou azul-turquesa. De tão transparentes e limpas, a água de todos é potável e pode ser consumida sem riscos à saúde.
Duas cidades ao longo do caminho – Villa La Angostura e San Martín de Los Andes – são os destinos de inverno dos argentinos, que evitam ir para Bariloche por causa do movimento de estrangeiros. Pequenas, estruturadas e charmosas, ambas mantêm ótimos restaurantes e hotéis, que podem ser úteis durante o passeio pela Rota dos Sete Lagos ou para quem deseja prolongar a estadia na região.
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O jornalista viajou a convite da Pastoral do Turismo do Brasil e Turismo Inteligente Empresa de Viajes y Turismo
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