Turismo

Um berçário a céu aberto para gigantes

Daniela Neves
13/08/2009 03:04
As fêmeas podem chegar a 17 metros e os filhotes nas­­cem com 4 metros. A mãe protege os filhotes recém-nascidos e não se aproxima muito da embarcação. Mas quando está sozinha ou com filhote mais velho chegam a passar por baixo dos seus observadores. Espécie mansa e com pouca capacidade de movimentação, elas não causam problemas para os turistas ou pesquisadores. “Nunca tivemos notícia de ataque de baleia. Ela não oferece perigo para o barco, mesmo quando passa por baixo”, diz Mô­­nica Pontalti, bióloga da Instituto Ba­­­­­­leia Franca (IBF). Cada embarcação pode fazer no máximo duas aproximações da mesma baleia pa­­ra não estressá-la e se um barco está próximo, outro não pode chegar.
Comportamento
Existe uma tese ainda não confirmada de que as baleias que vêm para Santa Catarina reproduzir-se, voltam para ter os filhotes e que esse filhote que nasceu em Im­­bituba retorna para procriar por aqui. O monitoramento feito por biólogos deve identificar esse comportamento com o tempo, mas, de fato, a região é propícia para o romance.
Apesar de elas começarem a chegar em julho, a melhor época da temporada é final de agosto e setembro, quando um número maior é visto e proporciona um espetáculo daqueles.
O turismo de observação de ba­­­leias é praticado, de forma organizada, em 87 lugares no mundo, sen­­do dois no Brasil. Além da Fran­­ca que chega a Santa Catarina, a Ju­­­barte é observada na Bahia. Em to­­do o mundo, esse tipo de turismo atraiu 10 milhões de pessoas em 2007, sendo que só a península Valdez, na Argentina, recebeu 244 mil visitantes naquele ano. A diferença entre outros lugares e Im­­bituba é que em Santa Catarina o turista não precisa se deslocar muito para avistar baleias. De­­pendendo de onde elas estão, 20 mi­­­nutos de barco já podem ser suficientes.
Triste história
A migração temporária é realizada há muito tempo e as baleias da espécie Franca chegavam a subir até a Bahia. Mas pelo Sul não eram bem recebidas. A caça à baleia era uma atividade forte em Imbituba e Garopaba e os pescadores exibiam com orgulho seu feito, levando as baleias já mortas para a areia e chamando todos para subir em cima delas. Retiravam óleo e carne, que servia como alimento e eram excelente fonte de renda para os moradores.
Os registros contam 45 baleias mortas, mas o número deve ser muito maior segundo os próprios pesquisadores. A caça não só foi proibida por lei federal, em 1987, como a postura do governo e da sociedade civil mudou muito. Com legislações ambientais e o acordo feito entre as quatro operadoras da região, a tentativa é chamar a atenção para as baleias, mas com a prática de um turismo sustentável.
A jornalista viajou a convite da PROA (Pousadas do Rosa Associadas) e da Santur.
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Serviço
Observação das baleias
Período: De julho a novembro
Melhor época: agosto e setembro
Duração da saída de barco: 1h30
Valores: de barco, R$ 140 por pessoa nos fins de semana e R$ 90 nos dias de semana. Por terra, R$ 70 por pessoa, com saída de micro-ônibus e acompanhamento de um biólogo ou monitor.