Turismo

Um milagre da natureza

Adriano Justino
16/11/2006 21:41
Conhecer Melbourne e não ver de perto os 12 Apóstolos é mais ou menos o equivalente a ir a Roma e deixar de visitar a Capela Sistina ou a Basílica de São Pedro. Mas, ao contrário dos tesouros arquitetônicos e artísticos do Vaticano, o ponto turístico australiano, símbolo do estado de Vitória, não é uma atração criada pelas mãos do homem.
O complexo de gigantes monolitos erodidos que leva o nome dos discípulos de Jesus Cristo é obra da natureza, resultado da ação dos elementos (vento, mar, chuva), ainda que seja impossível não pensar, diante de tanta beleza, que forças superiores também tenham dado lá sua contribuição na criação de tamanho espetáculo.
Para chegar aos 12 Apóstolos é importante reservar um dia inteiro e bastante disposição. Apesar de ser um dos mais belos percursos com paisagem do mundo, a Grand Ocean Road (ou Highway1) é uma aventura, principalmente se o visitante optar por alugar um carro. Além de se acostumar a dirigir em mão inglesa (inversa à nossa), o condutor deve estar pronto para enfrentar uma estrada estreita e sinuosa, capaz de causar náuseas ao mais experiente lobo do mar. A empreitada, no entanto, vale a pena. Cada curva reserva uma surpresa para os sentidos. À beira-mar, a sucessão de praias oceânicas, sempre freqüentada por surfistas que adoram enfrentar os desafios propostos pelas ondas geladas da região, é um espetáculo. No interior, a floresta pluvial é a oportunidade perfeita de ver de perto árvores gigantescas e seculares, koalas em seu habitat selvagem, riachos e cachoeiras. Não há como sair perdendo.
E, ao chegar ao Port Campbell National Park, a recompensa é inesquecível. Nenhuma imagem, por mais habilidoso que seja o fotógrafo, consegue reproduzir o impacto do contato e pessoal com os monolitos que emergem do mar como provas cabais de que o planeta que nos acolhe é mesmo maravilhoso. Ainda que você seja o mais cético ou pragmático dos mortais, reserve alguns minutos para sentar em um dos mirantes do parque, de preferência sozinho, para refletir sobre o sentido da vida. (PC)