Entre as formas de viajar pelo caudaloso rio, a mais curiosa (e barata) é a bordo das falucas. São pequenas embarcações a vela, cobertas por um enorme tapete e almofadas. Uma opção de tour é sair de Assuã (a 900 km do Cairo) e passar duas noites até Kom Ombo, na direção para Luxor. Como cabe pouca gente, surge um clima de certa intimidade entre os viajantes. Na hora de dormir, é só deitar e se cobrir com uma manta ou num saco de dormir (tudo ao ar livre).
Também é possível navegar pelo Nilo em modernos navios – menos charmosos por fora, mas muito mais confortáveis que as falucas. Várias empresas de navegação oferecem viagens pelos os trechos mais importantes. Voando do Cairo para Assuã e, a partir de lá, descendo o rio, pode-se fazer um cruzeiro de sete noites, que começa pela Ilha Elefantina, que guarda o mausoléu de Aga Khan; e segue para Kom Ombo, onde está único templo duplo do Egito, dedicado aos deuses Sobek (com cabeça de crocodilo) e Horus (cabeça de falcão); Edfu, que é considerado o mais bem conservado dos templos egípcios; e Esna, para visitar o templo de Knoum.
O ponto alto deste cruzeiro, no entanto, será a chegada a Luxor, onde estão os templos de Karnak (com suas 134 gigantescas colunas de pedra) e o da própria cidade. No caso do Templo de Luxor, a dica é visitá-lo à noite. Todo iluminado num belo tom dourado, é o único templo do país aberto à noite. Antes de tomar o avião para a capital egípcia, passe um dia inteiro no Vale dos Reis, onde está o túmulo de Tutancâmon; e no Vale das Rainhas, que guarda a tumba de Hatsheput, a única faraó mulher do Egito.
Abu Simbel
Também é possível fazer um cruzeiro de quatro noites, a partir de Assuã, pelo lago Nasser, criado artificialmente por uma represa, inaugurada em 1971. Um dos pontos altos dessa viagem é a visita ao complexo da ilha de Filae, formado por pavilhões e templos construídos sob a influência grega e romana a partir do século 4 a.C. Já no extremo sul do lago está o impressionante sítio arqueológico de Abu Simbel. Por ordem de Ramsés II, dois templos – o maior em sua homenagem e o menor para sua mulher, a rainha Nefertare – foram escavados na montanha no meio do deserto. O complexo, assim como os monumentos hoje na Ilha de Filae, quase foi inundado pelo lago Nasser.
Entretanto, nos anos 60, a Unesco liderou um esforço internacional para salvá-los. Os templos de Abu Simbel foram então removidos de onde estavam (numa megaoperação que exigiu que a base da montanha fosse parcialmente cortada) e transportados para o cume, onde ficariam acima do nível das águas. No interior do templo de Ramsés II, há uma sequência de colunas, de ambos os lados, decoradas com representações do faraó. Ao fundo do templo, uma estátua de Ramsés só recebe a luz do sol duas vezes por ano. Quando o templo foi transferido de lugar, manteve-se esse efeito especial.
A viagem até Abu Simbel também pode ser feita de avião, a partir de Assuã, mas o cruzeiro pelo lago, com certeza, torna a viagem ao Egito ainda mais especial, mesmo o turista tendo que enfrentar um calor de até 47 °C.
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