Turismo

Viagem ao passado

Adriano Justino
01/02/2007 21:20
Passear pelo Parque Estadual de Vila Velha, em Ponta Grossa, nos Campos Gerais, é conhecer um pouco mais da história da formação geológica do nosso planeta e se maravilhar com o mistério das formas tomadas pelos arenitos ao longo de 380 milhões de anos.
As formações, conforme a geógrafa Fabiane Zaclis de Moraes, também têm histórias parecidas com a do cânion do Guartelá, em Tibagi, mas estão relacionadas à ação da chuva, entre outros fatores, sobre os aglomerados de areia com óxido de ferro e óxido de manganês, no que, no período da Pangea (quando os continentes eram unidos), era um mar raso.
Criado em 1953, o parque tinha visitação não monitorada, o que levou ambientalistas, em 1978, a proporem ação de fechamento do ponto turístico. Fechado para reforma e elaboração do plano de manejo em 2000, o parque só reabriu em 2004, após uma vitória judicial contra a ação dos ambientalistas.
Hoje, o movimento da rodovia BR-376, onde está localizado o parque, e o fato dele estar centrado num ponto estratégico para quem vai ao Sul do Brasil ou ao Sudeste, aumentam a taxa de visitação. Em 2006, 58.562 pessoas visitaram as atrações do parque, constituídas nos arenitos, na Lagoa Dourada e em Furnas. 24% dos turistas foram do interior do Paraná, 19% de Curitiba, 15% de Ponta Grossa, 13% de São Paulo, 8% de Santa Catarina e o restante de outros estados e países.
No ano passado, 4.365 pessoas chegaram do exterior para conhecer as famosas formações do parque, entre elas a bota, a noiva, a proa do navio, os camelos e a famosa taça. “Não colocamos os nomes nas atrações porque deixamos que os visitantes trabalhem sua criatividade”, completa a gerente do parque, Maria Ângela Dalcomune.
Desde a reabertura do parque, a busca é pela preservação, um cenário bem diferente de anos atrás. O casal do interior do Pará Cleusa e Cláudio Francisquievis esteve no parque pela primeira vez há 10 anos e voltaram no início de janeiro deste ano. “Adoramos. A administração está muito melhor”, completou Cleusa.
A taxa de visitação é de R$ 7 para os arenitos e R$ 5 para Furnas e Lagoa Dourada. O passeio completo dura quatro horas e meia. Quando o elevador de Furnas for consertado (ele foi interditado por estar fora das normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT), o preço será elevado. Apesar do ingresso ser considerado caro, conforme a direção do parque, a taxa de visitação não cobre nem a folha de pagamento. A bilheteria gera em torno de R$ 290 mil ao ano e o orçamento anual é de perto de R$ 900 mil. A gestão é mantida pelo governo estadual. (MGS)
Serviço: O Parque Estadual de Vila Velha está localizado no Km 515 da rodovia BR 376. Ele abre das 8h30 às 15h30, de quarta à segunda-feira e feriados. A taxa de visitação completa é de R$ 12, com meia-entrada para estudantes, moradores de Ponta Grossa e idosos. As excursões podem ser agendadas pelo telefone (42) 3228-1138.