A ação foi registrada na foto acima e mostra uma característica fundamental da maioria dos manifestantes que foram às ruas na ocasião: a consciência. “Nosso protesto é por melhorias na nossa sociedade. Não queremos ficar marcados porque algumas pessoas ficaram mais fervorosas”, afirma Tanamara.
VÍDEO: veja o momento em que o grupo de manifestantes tenta invadir o Palácio Iguaçu
Assista ao vídeo com a manifestação em Curitiba
Interatividade: Por que você protesta?
Embora os protestos espalhados pelo país estejam marcados por vandalismo e violência, inclusive na capital paranaense, parece existir uma etiqueta social que faz com que os manifestantes cuidem de suas cidades. Quando o protesto passou na frente da Santa Casa de Curitiba, na segunda-feira, cerca de 10 mil pessoas (segundo dados da Polícia Militar) fizeram silêncio em respeito aos pacientes. No Rio de Janeiro, existem ações de financiamento coletivo para pagar os estragos de um carro incendiado por manifestantes. Isso sem contar os anônimos que acalmam os ânimos dos exaltados, separando brigas ou pedindo para que reduzam o vandalismo no meio da multidão.
Etiqueta social
Em protestos como os do aumento da tarifa de ônibus, a formalidade exigida em eventos sociais é dispensável. A preocupação aqui é com o respeito mútuo, com o outro e com o ambiente em que vivem.
“São pessoas que querem melhorar a sociedade, sem destruir. É impensável que 10 mil jovens desarmados resolvam sair para enfrentar a polícia e acabar com o patrimônio público. O movimento fica manchado pelo comportamento impulsivo de alguns”, observa Cezar Bueno de Lima, cientista político da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR).
O mais impressionante no exemplo de Tanamara é que, como diria o Profeta Gentileza (1917 – 1996), boas ações geram boas ações. “Vi muita gente ajudando a limpar a parede, foi bem legal. As pessoas se motivam quando veem outras cuidando do que é de todos”, lembra a universitária, com orgulho.
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