Comportamento

A gente cresceu e ganhou uma nova casa

Franco Caldas Fuchs, especial para a Gazeta do Povo
30/06/2013 03:10
Um novo ciclo. Uma nova casa. Só assim para abrigar um suplemento que gerou filhos e que segue crescendo. Desde abril deste ano, é no complexo A Fábrika, no Alto da XV, que são produzidas as reportagens das publicações que fazem parte do Núcleo Estilo de Vida da Gazeta do Povo. Ele é formado pela revista Bom Gourmet, pelo Viver Bem e pelas três “crias” do suplemento dominical: as revistas Viver Bem Casa & Decoração, Viver Bem Moda & Beleza (nascidas em 2011), e Viver Bem Saúde & Bem-estar, que circula desde o ano passado.
Para a gerente do núcleo, Andréa Sorgenfrei, a criação desses títulos, assim como a mudança para um espaço diferente, é prova da maturidade do Viver Bem. “Temos a consolidação de uma marca forte, que atinge 30 anos alinhada aos novos tempos da comunicação. A Gazeta do Povo aposta em vários nichos e o Viver Bem se tornou um guarda-chuva que abraça vários produtos jornalísticos voltados para a família”, afirma Andréa.
Ousadia e eficiência
Em um dos pavilhões de A Fábrika, uma equipe de jornalistas trabalha em um espaço de 400 metros quadrados, que reúne um estúdio fotográfico, um lounge, um camarim, um cantinho retrô e, em breve, uma cozinha gourmet. Repleto de charme, o ambiente integrado foi pensado minuciosamente pelo arquiteto Lucio Albuquerque.
Sua maior preocupação foi criar uma redação que funcionasse em sinergia com as múltiplas atividades do Núcleo Estilo de Vida. “A redação chama atenção por sua criatividade e por fugir de certos padrões. Mas o objetivo é ser funcional. A ideia é que um jornalista prove e sinta o cheiro da comida enquanto escreve, assim como ele pode acompanhar uma sessão de fotos de moda na própria redação. Com uma maior percepção de detalhes, as reportagens se enriquecem”, explica o profissional.
O aconchego que a redação oferece – especialmente em espaços como lounge e cantinho retrô –, foram criados não só para os jornalistas, mas também para receber leitores e outros convidados. “Com a redação no espaço A Fábrika podemos nos aproximar ainda mais do nosso público, assim como realizar eventos. Entendemos que a produção de conteúdo hoje também se relaciona diretamente a isso”, diz Andréa.
A gerente informa ainda que o Núcleo Estilo de Vida seguirá apresentando novidades, também a partir do seu site na Gazeta do Povo. “Nossa página está se reformulando. Teremos mais vídeos e ganharemos um programa de gastronomia, em parceria com a ÓTV. Aguardem!”
História preservada num ambiente único
Importante centro cultural da cidade, A Fábrika preserva a história de um empreendimento vital para trabalhadores curitibanos do passado. Quem hoje visita seu ambiente agradável certamente repara nas máquinas de tecelagem expostas em meio ao bosque e à pista de corrida. As máquinas, assim como a estrutura arquitetônica que se destaca na Rua Ubaldino do Amaral, pertenciam à Fábrica de Fitas Venske.
Fundada em 1907, por imigrantes suíços, a empresa se instalou no Alto da XV a partir de 1938. Por décadas, ela foi uma referência, comercializando fitas e bandeiras para outras cidades do Brasil. Em 1980, porém, o empreendimento fechou, e seus pavilhões históricos ficaram ameaçados. “Quando chegamos na década de 1980, a fábrica estava abandonada, mas parecia ter sido fechada naquele instante. Estava como os últimos funcionários haviam deixado, com gavetas e cadernos abertos. Era como uma frase incompleta”, recorda Elsa Lemanski, proprietária e administradora de A Fábrika.
Com o trabalho dos arquitetos Paulo Pacheco e Maria Helena Paranhos, a proprietária “completou a frase” a seu modo. O antigo espaço foi inteiramente restaurado e adaptado para receber novos empreendimentos, como uma academia de ginástica, um teatro, escolas de idiomas e dança, além da Vara de Falências e Execução Fiscal Estadual, existentes hoje. “A Fábrika é um exemplo para Curitiba de que a cidade pode crescer sem destruir seu passado arquitetônico”, afirma Maria Helena.
Fonte de memórias
Ex-funcionárias da Fábri­­ca de Fitas Venske, Ivonete Mestre, 79 anos, e Arlete Campanhola, 81 anos, hoje se espantam com as transformações e a beleza do com­plexo A Fábrika. As duas passearam pelo espaço e visitaram a redação do Núcleo Estilo de Vida. “Antigamente, por causa dos motores, havia muito barulho e tínhamos de falar muito alto. Hoje tudo está calmo!”, compara Ivonete. “Durante o trabalho, gostávamos muito de cantar. Éramos moleconas, ríamos por tudo”, lembra Arlete. As duas trabalharam entre as décadas de 1940 e 1950, e entraram na fábrica, assim como muitas colegas, na faixa dos 15 anos. “Havia mais moças do que homens e tinha até creche para as crianças. Foi uma fábrica boa, que empregou moças de vários bairros”, conta Arlete.
Saudosas desse tempo em que mulher não usava calça comprida, as duas até hoje se reúnem com outras amigas ex-funcionárias. Haja café e quitutes para dar conta de tantas memórias. “A gente ganhava pouco, mas ria muito”, recorda Ivonete.

Fábrika